Li "Sopro" com bastante atenção, e posso dizer que foi uma experiência sensível. Senti que a autora faz um trabalho delicado ao retratar relações familiares entre mãe e filha, em meio a rupturas, lembranças e afetos. A alternância de vozes é fluída: permite ver os contrastes e semelhanças entre as personagens, seus modos distintos de lidar com a dor e a memória. Gostei muito da forma como Concha Celestino equilibra o melancólico com o poético. Sim, há momentos de tristeza e de angústia, mas esses nunca sobressaem de forma opressiva, há sempre uma luz de esperança, uma lembrança terna, ou uma passagem poética que suaviza... A leitura exige certo estado de espírito contemplativo, porque muitos capítulos são breves, quase fragmentos. Para mim, "Sopro" foi uma leitura prazerosa mesmo com sua carga de introspecção... Achei que ele cumpre bem o papel de nos fazer refletir sobre o que permanece em nós depois das perdas, sobre os laços que não se perdem totalmente mesmo quando há separação ou distanciamento. É um livro para segurar com cuidado, ler devagar, deixar as frases ecoarem.
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"Não, não cheguei aqui fugida da tristeza e do sofrimento; isso se gruda à gente, é o preço de estar viva." - pág. 75
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"Quem disseminou a ideia estúpida de que o tempo vai apagando e fazendo a dor cessar? Não, Flora, a tristeza é eterna. Não quero me consolar." - pág. 93
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"Quando eu morrer, Deus me livre de ficar olhando este mundo!" - pág. 112