Bosi usa a classificação tradicional dos períodos (as inevitáveis caixinhas) e de forma geral mantém o cânon, na linha de Sílvio Romero, José Veríssimo (que ele cita bastante) e outros. A novidade é a crítica que ele faz a partir de critérios estéticos e principalmente ideológicos.
O julgamento estético, influenciado pelo método de Croce, valoriza o aspecto intuitivo sobre o lógico/formal na acepção do literário. A análise ideológica, seguindo o método de Gramsci, indica o elemento de resistência que circunda um autor e sua produção, dentro do seu contexto histórico. O valor de uma obra estaria relacionado tanto com sua retórica e estilo, quanto com o elemento ideológico, ou engajamento.
O livro não se sente velho, apesar dos mais de cinquenta anos desde o primeiro lançamento e essa forma de avaliação crítica estético-ideológica (às vezes polêmica) é um atrativo à parte. Excelente para quem quer ir além da enciclopédia, mas como o próprio título deixa entrever, não é uma investigação exaustiva de nenhuma escola ou autor e fica mais concisa conforme se adentra no romantismo, no modernismo e nas tendências contemporâneas.