Heróis - Salvadores, Traidores e Super-Homens

    Lucy Hughes-hallett

    Record
    2007
    546 páginas
    18h 12m
    ISBN-13: 9788501071514
    Português Brasileiro

    Em 'Heróis', a jornalista inglesa Lucy Hughes-Hallett analisa a natureza do heroísmo na civilização ocidental e indaga - o que cria um herói? Ao narrar as vidas de oito excepcionais homens da história e da mitologia - Aquiles, Alcibíades, El Cid, Drake, Wallentein, Catão, Garibaldi e Ulisses -, ela recria as expectativas que deles tinham seus contemporâneos e reconstitui as maneiras como a posteridade reagiu a suas façanhas e as reformulou. A natureza e a função do herói modificam-se com a mentalidade da cultura que o produz, bem como as qualidades atribuídas ao herói, os feitos que se esperam deles e seu lugar nas estruturas política e social como um todo. Hughes-Hallett mostra, ainda, que as nódoas nestas extraordinárias personalidades não são defeito. Um herói, quando sua fama atinge um certo ápice, torna-se um totem, um objeto de poderes mágicos que não precisa agir para conquistar seus objetivos. Não se exige que heróis sejam altruístas, honestos e competentes. Apenas que inspirem confiança e que projetem uma imagem de grandiosidade. Na hora da necessidade deve surgir o homem certo. Um herói precisa ser capaz de seduzir ou de intimidar. Em qualquer um dos casos ele necessita de uma personalidade especialmente forte e de talento para projetá-la. O heroísmo é teatral. Os heróis precisam parecer e agir como tais. Devem mostrar-se arrogantes e orgulhosos de si ou, se o gosto do público se inclinar na outra direção, fazer de sua humildade um espetáculo. Detentoras de dons excepcionais, até sobrenaturais, e por isso capazes de realizar feitos da maior relevância - a derrota de um inimigo, a salvação de um povo. Feitos que nenhuma outra pessoa teria como realizar. 'Heróis' demonstra bem - nada há de novidade no culto à personalidade, na manipulação calculada da notícia com propósitos políticos, nas maneiras como a celebridade e carisma sexual podem ser traduzidos em poder, na sugestionabilidade do povo que, em termos de medo ou de entusiasmo exacerbado, pode ser tentado a abrir mão de seus direitos políticos ante um glorioso Super-Homem.

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    Henrique Machado picture
    Henrique Machado25/09/2019Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Heróis são homens capazes de feitos extraordinários e extrema coragem. Em diversas mitologias o herói era, geralmente, um semideus (filho de uma humana e um deus imortal). Até na Bíblia existem heróis: Sansão, Gideão e Davi. Nesse livro a autora escolheu oito heróis: Aquiles, Alcibíades, Catão, El Cid, Francis Drake, Wallenstein, Garibaldi e Ulisses. Confesso que só conhecia o primeiro e os dois últimos. A autora escreveu um pequena biografia desses personagens. Muito deles foram rebeldes, alguns ladrões e outros até traidores da sua pátria, mas eram imaginados como super-homens, os únicos capazes de salvar a nação. Na verdade eles eram humanos e imperfeitos, com seus defeitos e suas qualidades como todos nós. A lição que fica a final da leitura desse livro é que heróis talvez existam, mas confiar o futuro do país em suas mãos é muito perigoso. Uma observação: a autora faz frequentemente comparações entre os heróis que ela escolheu e referências a outras personagens, sejam eles históricas ou literárias.

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