Música, poesia e dança formam uma unidade e nos levam ao encontro amoroso com o nosso Deus. Por isso, ao mesmo tempo que oferece precioso conhecimento bíblico-histórico-antropológico, a autora nos desperta também o prazer de uma liturgia que recupera, pouco a pouco, esses três elementos da linguagem da aliança. Queira Deus que a leitura deste livro nos ajude a aprimorar ainda mais – técnica e espiritualmente – a música na liturgia, a superar a timidez para dançar pelo menos em dias de festa, a redescobrir a riqueza espiritual de uma leitura bíblica cantada em forma de recitativo e a encontrar o tom poético para “dizer” as orações litúrgicas.
Música, dança e poesia na Bíblia (Liturgia e Música #4)
María Victoria Triviño Monrabal
Um livrinho grande!
A melhor forma de definir esse livrinho é chamá-lo de grande, pois, o conteúdo que nele é condensado em 100 páginas é de uma riqueza sem tamanho. Para os leitores protestantes como eu, a autora é uma monja católica romana. E isso, de forma nenhuma, prejudica a leitura. Pois ainda que haja citações de livros apócrifos (levando em conta o cânon hebraico), eles nos servem de fonte cultural e histórica do contexto da sua época, pelo menos do judaísmo do segundo templo. Ela inicia seu livro pelos primórdios das artes, com Jubal, filho de Lameque, descendente de Caim. Olhando para o texto bíblico como histórico, mostrando como as artes se desenvolveram. O povo de Israel começa de forma nômade, e isso reflete aspectos em sua arte: "baseada no ritmo, na fonética, na música, na poesia e no canto. Isto, é vinculada ao sentido do ouvido e ao tempo". A palavra ganha vida, e isso está muito forte na língua hebraica, sobre o tempo e movimento. Já estabelecidos em Canaã, a sua arte também passa por uma adaptação: "uma arte geométrica e plástica, baseada na proporção e na medida, arquitetura, pintura, escultura, escritura. São artes que se desdobram no espaço, relacionadas com o sentido da vista" (p. 16). Nesse sentido, Israel conservará os dois tipos de artes. Logo após, discorre sobre o templo, a forma e organização das músicas, seja pelos sacerdotes e suas respectivas famílias em turnos e instrumentos usados, até como a sinagoga e o lar se tornam uma extensão do santuário após a sua destruição. O lar judaico se torna central no culto, com a celebração do sábado e seu ritual secular, com a circuncisão, matrimônio e luto. Os instrumentos de música são explicados e demonstrados em uso em todos os seus contextos bíblicos, seja para guerra, profecia, festa, luto e etc. E isso, é muito interessante, pois Deus usava os profetas inclusive para exortar o povo e explicar que, seu juízo, faria cessar as danças e as músicas, com o Senhor até usando esses instrumentos para castigar Israel. A autora diz: "A volta das danças e dos instrumentos introduzem a esperança da restauração messiânica" (p. 56). Sobre as danças, ela explica que em sua grande maioria, quem dançava eram as mulheres, seja em festas, cortejos, as moças e virgens, também chamadas de donzelas, eram destaque. Ela percorre vários textos onde a dança fazia parte de festas, acontecimentos, e quem dançou e dançava, inclusive, fala da dança sensual descrita em Cantares de Salomão, onde a amada dança e o noivo a admira e elogia. Outra questão é o formato das danças: "são geralmente em círculos, como expressão da alma oriental, elas carregam suavidade e graça, voltas, giros, e uma misteriosa elegância, onde é importante o movimento das mãos" (p. 54). Na cultura judaica o movimento do corpo expressa vida e louvor, onde, até na oração os judeus fazem movimentos. Na parte final do livro, a monja explica por dentro de Apocalipse as referências que existem aos instrumentos de louvor, fazendo alusão ao culto no templo e até a libertação do Egito. O livro de Salmos é usado para mostrar as informações cruzadas que existem, como o Salmo 24. Essa parte desce como mel no paladar do leitor. Consegue clarear muita coisa, pois aborda como o livro de Apocalipse é um livro alegre para os santos, de esperança, louvor, adoração. A autora nos diz que após a destruição do segundo templo, os instrumentos passaram por um período de luto pelos judeus, onde, as sinagogas ficaram muito tempo sem eles, e muito recentemente, por influência das igrejas, algumas começaram a recebê-los. São muitas coisas que ainda poderiam ser ditas, mas a resenha ficaria muito extensa, e isso parece paradoxal, pois o livro é pequeno, porém, contém muita riqueza. Você aprenderá como as palavras "aleluia" e "amém" eram usadas. Apenas leia, você será muito edificado.
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