Canaã -

    Graça Aranha

    Martin Claret
    2013
    268 páginas
    8h 56m
    ISBN-13: 9788572329477
    Português Brasileiro

    Considerado o primeiro romance ideológico nacional, Canaã (1902) se constrói ao redor da metáfora bíblica da Terra Prometida. Retratando a imigração alemã no Espírito Santo, a narrativa nos leva a conhecer Milkau e Lentz, alemães que se estabelecem às margens do rio Doce, e cujas ideias se antagonizam. Permeada por conceitos naturalistas e pertencente à fase Pré-Modernista da literatura brasileira, Canaã tem uma narrativa rica, objetiva e densa, firmando seu espaço como obra indispensável para o leitor de todas as épocas.

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    Clio14/07/2022Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Esse é um dos livros em que a composição da capa original mais detrata do que aprimora e facilita a venda, pois não é sobre algum malfadado romance, mas sobre como a religião modifica ou não os parâmetros sociais. Em especial, Canaã busca retratar as diferenças entre a fundação de uma colônia alemã e as colônias portuguesas. Para isso temos Milkau e Lentz que, detentores de ideologias opostas, esmiúçam os particulares das famílias, das produções culturais e da religião. Essa última é a que merece mais atenção, pois o autor faz questão de descrever as bases do luteranismo em oposição ao catolicismo vigente e é com o primeiro que temos o traçado da segunda parte da trama - uma reformulação da história de Maria pela sociedade formada. O que antes apresentava um quê de maravilha se torna então uma crítica expositiva em que vemos que não obstante as diferenças ocasionadas pelo cisma religioso e outros pontos culturais, aquela pequena colônia ainda corrompia, julgava e oprimia a figura da mulher. Um dos pontos mais interessantes da obra é ver a evolução de Graça Aranha em sua escrita, a forma gradual como vai transformando uma leitura descritiva e filosófica em algo alegórico. O final, por exemplo, onde há um tribunal, basicamente não oferece nomes aos Poderes lá representados... quase todos os personagens vão se despersonalizando e assumindo apenas os epítetos de suas profissões ou modos-de-vida. É uma leitura que foge ao já conhecido e repetido "Engenho" da literatura nacional. Recomendo.

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