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    O pomar das almas perdidas -

    Nadifa Mohamed

    Tordesilhas
    2016
    296 páginas
    9h 52m
    ISBN-13: 9788584190362
    Português Brasileiro
    4.1
    456 avaliações
    Leram602Lendo44Querem1099Relendo1Abandonos11Resenhas86
    Favoritos28Desejados1099Avaliaram456

    Muito já se escreveu sobre a Somália e a guerra civil que assola o país desde os anos 1980, mas pouco se sabe sobre o seu povo. Em seu segundo romance, a escritora britânica de origem somali Nadifa Mohamed se encarrega de trazer à luz a vida, a língua e a cultura dessa gente. Ambientado na cidade de Hargeisa às vésperas do conflito que engoliu o país, O pomar das almas perdidas conta a história de violências e perdas de três mulheres de gerações distintas. Deqo, Kawsar e Filsan se encontram pela primeira vez em um estádio, na festa de aniversário da revolução que colocara no poder uma ditadura militar. Aos 9 anos, Deqo, que só conhecia a existência no campo de refugiados onde nascera, fará uma apresentação de dança - e por ela receberá um desejado par de sapatos. Mas ela erra a coreografia e recebe punição. Das arquibancadas, a viúva Kawsar, em seu eterno luto pela morte da filha adolescente, vê a agressão e decide intervir. É presa por Filsan, uma jovem soldado ambiciosa que em breve aprenderá uma lição dura sobre si mesma e o mundo dos homens. Os eventos que se desenrolam do momento da prisão de Kawsar até a volta de Filsan à delegacia são dramáticos e determinantes do que virá a seguir. O livro passa então a acompanhar a vida de cada uma das mulheres. Deqo se perde pelas ruas da cidade, perambulando pelas bancas do mercado até encontrar refúgio na casa de prostitutas. Machucada, impossibilitada de se mover, Kawsar volta para seu bangalô e passa a viver com a ajuda de uma jovem. Filsan retorna ao quartel e ao seu trabalho de patrulha. Nesse momento, a narrativa cresce e ganha uma qualidade poética admirável, para a qual muito contribui a musicalidade das palavras somalis sussurradas aqui e ali. Aos poucos, a revolução se dissemina e o conflito armado se instala de vez, obrigando a população a deixar sua casa. Em meio aos escombros, aos cadáveres, à areia do deserto e às suas próprias perdas, Deqo, Filsan e Kawsar voltam a se encontrar para viver o seu destino final, num trabalho precioso de construção de enredo que ajuda a explicar por que a revista Granta elegeu Nadifa Mohamed uma das melhores jovens escritoras britânicas de 2013.

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    Bookster Pedro Pacifico01/03/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O pomar das almas perdidas, Nadifa Mohamed - Nota 8,5/10

    A história é triste, bem triste, mas mostra a força do ser humano ao lidar com situações degradantes. Não tenho dúvidas de que acompanhar a simples rotina de três mulheres - uma criança, uma jovem e uma senhora - cercadas pela pobreza e violência no meio da revolução na Somália, durante a ditadura de 1987, foi muito enriquecedor. Essa é daquelas histórias que nos faz lembrar sobre a triste realidade de muitos, da qual, às vezes acabamos nos tornando indiferentes. Confesso que em alguns pontos achei que a leitura fica um pouco enrolada, mas a autora logo consegue voltar com o bom ritmo que predomina no livro.

    47 curtidas

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    • 4 estrelas48%
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    • 1 estrelas0%
    Nadifa Mohamed profile picture

    Nadifa Mohamed

    Nadifa Mohamed é uma romancista somali-britânica nascida em 1981 em Hargeisa, Somaliland. Seu pai era marinheiro na marinha mercante e sua mãe era uma proprietária local. Em 1986, ela se mudou com sua família para Londres para uma estadia que deveria ser temporária, mas a eclosão da guerra civil na Somália fez com que eles permanecessem no Reino Unido. Mais tarde, ela frequentou o St Hilda's College, em Oxford, onde estudou história e política. Mohamed é mais conhecida por suas obras que exploram a história da Somália e a experiência da diáspora somali. Seu primeiro romance, "Menino Mamba Negra (Black Mamba Boy)" (2010), é uma conta semi-biográfica da vida de seu pai no Iêmen nas décadas de 1930 e 1940, durante o período colonial. Este livro ganhou o Prêmio Betty Trask de 2010 e foi indicado para vários outros prêmios. Seu segundo romance, "O pomar das almas perdidas (The Orchard of Lost Souls)", publicado em 2013, se passa na Somália na véspera da guerra civil. Em 2014, este livro ganhou o Prêmio Somerset Maugham e foi longlisted para o Prêmio Dylan Thomas. Em 2013, ela foi selecionada como uma das "Melhores Novelistas Britânicas Jovens" da revista Granta e, em abril de 2014, foi selecionada para a lista Africa39 do Hay Festival, que destaca 39 escritores subsaarianos com menos de 40 anos que têm potencial e talento para definir tendências futuras na literatura africana. O terceiro romance de Mohamed, "The Fortune Men", foi finalista do Prêmio Booker de 2021. É uma conta ficcionalizada da verdadeira história de Mahmood Hussein Mattan, um jovem marinheiro mercante britânico-somali que foi falsamente acusado, injustamente condenado e enforcado pelo assassinato de um comerciante judeu em Cardiff, País de Gales, em 1952.

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    Nadifa Mohamed