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    Lira dos Vinte Anos (Clássicos da Literatura) -

    Álvares de Azevedo

    Ciranda Cultural
    2009
    256 páginas
    8h 32m
    ISBN-13: 9788538004738
    Português Brasileiro
    3.8
    27 avaliações
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    Bem-vindo ao maravilhoso mundo de Álvares de Azevedo. Nesta edição clássica do seu romance Lira dos Vinte Anos, trazemos até si a melhor edição esta admirável peça literária do século XIX. Lira dos Vinte Anos é uma antologia poética dividida em três partes: a Face Ariel (primeira e terceira partes) que se caraterizaria como a parte do anjo Ariel. E a Face Caliban (segunda) que se caracterizaria como a parte ruim o demônio Caliban, como o próprio Álvares de Azevedo as chamou. Enquanto os poemas da Face Ariel exibem sentimentalismo extremo, amor platônico, melancolia, entre outros elementos, os de Caliban são demasiado mórbidos, sarcásticos e irônicos.

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    mpettrus15/12/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A Binomia Alvaresiana

    ​“Lira dos Vinte Anos” é uma obra que marcou o ultrarromantismo, segunda fase da poesia romântica no Brasil. O livro também foi o responsável por colocar Álvares de Azevedo como o principal nome dessa escola literária, mesmo o autor tendo vivido apenas 20 anos. A obra em questão é uma antologia poética que reúne os principais poemas do escritor e foi organizada pelo próprio autor. Contudo, ele morreu em 1852 e o livro foi publicado postumamente, em 1853. A obra está dividida em três partes. ​ Álvares de Azevedo, ao compor a Lira dos vinte anos, fundamentou a sua obra numa binomia: duas faces de uma mesma medalha, como o autor mesmo define, que possuem “personalidades” literárias diametralmente opostas. Enquanto a face Ariel (a 1ª parte) representa e apresenta uma poesia idealista, ligada ao etéreo e ao “visionário e platônico”, Caliban (a 2ª parte), por outro lado, representa a face satírica, humorística, cética e irônica. ​ Uma observação interessante a ser pontuada aqui é quanto aos títulos das Partes do livro: Ariel e Caliban. São nomes inspirados numa obra shakespeariana do livro “The Tempest”. Ariel é um espírito do ar, etéreo e assexuado, capaz de transfigurar-se em todos os elementos. Já Caliban é um escravo, homem, disforme. São as características das personagens de Shakespeare e que foram transportadas para as poesias alvaresianas. ​A sua primeira parte, a face Ariel, é composta de poemas que representam a candura romântica que permite ao poeta perder-se em lamúrias sentimentais, sonhar com virgens idealizadas e morrer de amor. Já quando entra em cena a face Caliban, surgem poemas que trazem à cena a lascívia, o sarcasmo, a auto ironia. O que era tido como o ideal na face Ariel é sumariamente dessacralizado com Caliban, o que traz à obra de Álvares de Azevedo uma questão de antagonismo que permeia toda a Lira além de se expandir para outras criações do poeta. ​ Outra curiosidade muito interessante é o quanto essa obra está permeada pela ironia da própria vida. Porque vejamos: Álvares foi um jovem precoce, que não vivenciou a experiência de amar e foi quem soube melhor representar a Segunda Geração do Romantismo Brasileiro. Sua obra foi intensa, mesmo não tendo tempo para continuar o trabalho poético inspirado nos modelos europeus como por exemplo, Lord Byron. A morte foi sua companheira e era sua noiva e amante. ​ Na terceira parte, o conceito do erotismo e dos desejos sexuais reprimidos é bastante explorado em poemas como “Seio da virgem” e “Meu desejo”, porém os assuntos são tratados com o mesmo tom melancólico e sentimental que na primeira parte, mostrando que por mais que o autor tente escapar, esses sentimentos o sufocam em todos os aspectos de sua vida, inclusive os mais práticos e físicos, que também são retratados em algumas de suas poesias. ​ Confesso que a terceira parte do livro é o meu favorito. Os poemas aqui carregam a sutileza na construção poética, tendo em vista que o eu-lírico encontra-se recluso e se dedica a observação de seus próprios sentimentos em contraste com o mundo que o rodeia. Poemas como “Meu Desejo”, “Malva-Maçã” e “A Canção de D. Juan”, se destacam pela carga emocional e apelo erótico-sentimental, de modo a demonstrar como o eu-lírico utiliza o recurso metafórico para expressar seu sentimento em relação ao mundo, à mulher amada e a si próprio. ​ Foi sem dúvida um excelente exercício mental para interpretação ler as poesias de Álvares de Azevedo. Sob a influência da revolução romântica, ele constituiu uma nova forma de expressar toda a sua subjetividade, ao construir um eu-lírico com feições byorianas, em que ele seduz e se deixa seduzir. Corporifica seu desejo latente pelo corpo feminino explicitando seu prazer até atingir o gozo. ​ Por fim, não posso deixar de mencionar a binomia alvaresiana nos poemas do autor. Existe uma dualidade muito bem demarcada sendo possível observar um lado noturno e o outro solar que permeiam toda a sua obra. O lado noturno seria aquele ligado ao desejo e à admiração pela morte, o morrer de amor e o desejo irrealizado pelas misteriosas virgens pálidas. Já o lado solar seria aquele que ora lembra aquela ingenuidade e aquele frescor juvenil, ora substitui os suspiros melancólicos pela gargalhada ou um simples esgar. ​ Álvares de Azevedo possuía um talento sem igual que nos deixou poesias sublimes de uma qualidade ímpar, nos trazendo estrofes poéticas carregados de um lirismo idílico, noutras vezes, excessivamente amargo, desequilibrado e enfraquecido. ​

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    • 1 estrelas4%
    Manuel Antônio Álvares de Azevedo  profile picture

    Manuel Antônio Álvares de Azevedo

    Filho de Inácio Manuel Álvares de Azevedo e Maria Luísa Mota Azevedo, passou a infância no Rio de Janeiro, onde iniciou seus estudos. Voltou a São Paulo (1847) para estudar na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, onde desde logo ganhou fama por brilhantes e precoces produções literárias. Destacou-se pela facilidade de aprender línguas e pelo espírito jovial e sentimental. Durante o curso de Direito traduziu o quinto ato de Otelo, de Shakespeare; traduziu Parisina, de Lord Byron; fundou a revista da Sociedade Ensaio Filosófico Paulistano (1849); fez parte da Sociedade Epicureia; e iniciou o poema épico O Conde Lopo, do qual só restaram fragmentos. Não concluiu o curso, pois foi acometido de uma tuberculose pulmonar nas férias de 1851-52, a qual foi agravada por um tumor na fossa ilíaca, ocasionado por uma queda de cavalo, falecendo aos 20 anos. A sua obra compreende: Poesias diversas, Poema do Frade, o drama Macário, o romance O Livro de Fra Gondicário, Noite na Taverna, Cartas, vários Ensaios (Literatura e civilização em Portugal, Lucano, George Sand, Jacques Rolla), e a sua principal obra Lira dos vinte anos (inicialmente planejada para ser publicada num projeto - As Três Liras - em conjunto com Aureliano Lessa e Bernardo Guimarães). É patrono da cadeira 2 da Academia Brasileira de Letras. Atualmente tem suscitado alguns estudos acadêmicos, dos quais sublinham-se "O Belo e o Disforme", de Cilaine Alves Cunha (EDUSP, 2000), e "Entusiasmo indianista e ironia byroniana" (Tese de Doutorado, USP, 2000); "O poeta leitor. Um estudo das epígrafes hugoanas em Álvares de Azevedo", de Maria C. R. Alves (Dissertação de Mestrado, USP, 1999). Suas principais influências são: Lord Byron, Goethe, François-René de Chateaubriand, mas principalmente Alfred de Musset. Um aspecto característico de sua obra e que tem estimulado mais discussão, diz respeito a sua poética, que ele mesmo definiu como uma "binomia", que consiste em aproximar extremos, numa atitude tipicamente romântica. É importante salientar o prefácio à segunda parte da Lira dos Vinte Anos, um dos pontos críticos de sua obra e na qual define toda a sua poética. É o primeiro a incorporar o cotidiano na poesia no Brasil, com o poemas Ideias íntimas, da segunda parte da Lira. Segundo alguns pesquisadores, Álvares de Azevedo que teria escolhido o título "As Três Liras", pois havia uma garota - que até hoje ninguém sabe a identidade, muito bem escondida pelo Dr. Jaci Monteiro - que tocava esse instrumento. Figura na antologia do cancioneiro nacional. E foi muito lido até as duas primeiras décadas do século XX, com constantes reedições de sua poesia e antologias. As últimas encenações de seu drama Macário, foram em 1994 e 2001.

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    São Paulo, Brasil

    Manuel Antônio Álvares de Azevedo