Autores houve que duvidaram da autenticidade desta obra aristotélica, mas hoje é concorde a opinião de que ela pertence, de facto, a Aristóteles. Existe também acordo quanto à sua redacção, que terá sido anterior à da Ética da Nicómaco. O livro I, nos capítulos 1-6, trata do objecto e do método da ética. Os capítulos 7 e 8 investigam as condições de felicidade humana (eudaimonia). para Aristóteles, o bem supremo do homem não existe previamente, como em Platão, mas deve ser por nós realizado, pois o seu lugar é o mundo presente. O livro II centra-se no problema da felicidade e trata da virtude em geral. A actividade é melhor do que a passividade. A alma alcança a felicidade quando consegue as sua virtudes. É aqui fundamental a doutrina do meio-termo, que surge como norma do bem. No livro III, Aristóteles ocupa-se de algumas virtudes singulares, cuja exposição prossegue nos livros IV-VI, que correspondem aos livros V-VII da Ética a Nicómaco. Segundo alguns investigadores, estes livros, por razões estilístico-linguísticas, inserir-se-iam melhor na Ética da Eudemo, mas a tradição manuscrita sugere que eles pertenceriam originalmente à Ética a Nicómaco. O livro VII gira em torno da amizade e das suas formas, de que oferece uma análise muito justa. O livro VIII contém ainda observações sobre as virtudes e realça sobretudo a beleza moral ou a perfeita honestidade (kalakagathía), mas encerra um contraste em relação à Ética a Nicómaco; esta acentua a contemplação como uma actividade humana, ao passo que a Ética a Eudemo dirige a atenção para o objecto da contemplação, Deus - fim último em virtude do qual a inteligência moral ordena.
Ética a Eudemo
Aristóteles
Tribuna da História
2005
138 páginas
4h 36m
ISBN-13: 9789728799373
Português Brasileiro
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