Pulp -

    Charles Bukowski

    L&PM
    1995
    184 páginas
    6h 8m
    ISBN-13: 9788525404763
    Português Brasileiro

    Eis um Bukowski puro-sangue. Legítimo. Pulp, o último livro. Concluído alguns meses antes da sua morte em março de 1994. Alguém pode até dizer. “Já vi pulps melhores”. Mas uma coisa é certa. Você não sai incólume desta história. A saga de Nick Belame poderia até ser igual a de tantos detetives de segunda categoria que rolam pelas largas ruas de Los Angeles. Mas aqui, as mulheres inacreditáveis cruzam pernas compridas, sussurram e você diz: Ei gostosa, toma alguma coisa? Aí ela diz: Está pagando, babaca? Aí você sente nas costas um aço gelado... É sempre assim. Como nos velhos livrinhos policiais de papel vagabundo. Algo assim como subliteratura, a quem Charles Bukowski dedica solenemente este livro. Mas com o velho Charles é sempre diferente. Ele desfia sua história com habilidade de mestre. Um Rabelais percorrendo o mundo noir? A divina sujeira? A maravilhosa sordidez? Um acerto de contas com a arte? Uma homenagem? Uma reflexão sobre a morte? E tomara ela estivesse linda, gostosa e sexy – como está nesta história – quando encontrou o velho Charles poucos meses depois de ter posto ponto final nesta pequena obra-prima.

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    Diego Coelho22/12/2024Resenhou um livro
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    Bukowski exagera na fórmula noir e o resultado é fantástico

    Em seu último livro, Charles Bukowski presta uma homenagem à Pulp Fiction (ficção barata), escrevendo uma típica história de detetive daquelas vendidas em bancas de jornal, feitas com papel barato e custando muito pouco. O estilo da narrativa é o Noir e seus personagens implacáveis, vivendo em um mundo de violência brutal e sem sentido, com musas sensuais e misteriosas, gangsters e capangas, cigarro, bebida, noite e bares decadentes. As frases são sempre curtas como verdades cruas. Ninguém é gentil. A escuridão da palavra "Noir" (do francês) parece ser um estado de espírito e não apenas a descrição do cenário. Nick Belaine, o nosso protagonista, é o típico personagem desse estilo: decadente, solitário e sem nenhum tostão furado. Mas ele se considera o melhor detetive de Los Angeles. Os casos que aparecem são sempre acompanhados da Femme Fatale, outro tipo de personagem que não poderia faltar em uma típica narrativa Noir. As mulheres do livro são a perdição de Belaine. Misteriosas e poderosas, elas conduzem o fio na novela. Uma delas, principalmente, Dona Morte, será fundamental no destino do herói. É um prazer imenso ler este tipo de história. E aqui Bukowski parece estar em casa nesse universo de pessoas sem destino -- onde a felicidade parece uma coisa proibida. Você lembrará imediatamente dos quadrinhos de Sin City, do filme Chinatown e dos personagens de Humphrey Bogart. E quando já estiver se convencendo que o mundo é um lugar que não vale a pena, lembre que isso é literatura. Tome um uísque.

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