Ler o título deste livro é a melhor definição que se pode encontrar sobre o mesmo. De facto, tudo parece ser tratado de forma a dar a sensação de um mar humano pelo qual os protagonistas vão seguindo a sua jornada, umas vezes encontrando-se, na maior parte do tempo por si sós. Assim, apesar de ambientado durante o Estado Novo, parece haver uma intemporalidade capaz de colocar as personagens noutras épocas e noutros espaços. A caracterização que é feita do ambiente surge apenas em detalhes, quando conveniente às personagens, ou através da interpretação dos acontecimentos no enredo. Do mesmo modo, a grande maioria das personagens pode encarnar qualquer pessoa, em qualquer momento e local: pouco mais que o essencial é dito sobre elas, e uma grande parcela nem nomes tem, sendo referidas por características impessoais como “Médico Sem Sentimentos” ou “Filha de Pai Rico”. A única excepção é o casal protagonista, sobre o qual nos é dado a conhecer bastante a partir das suas acções e sentimentos, mas do qual não gostei. Não os considerei inverosímeis ou mal caracterizados/construídos, considerei sim com graves lacunas de personalidade, as quais os levam a desenvolver uma relação que me pareceu não de amor desencontrado, mas doentia. A sinopse não engana, então, ao mencionar uma “relação turbulenta”. Os temas que alega serem levantados é que já me parece puxar demasiado a brasa à sardinha: verdade que o são, mas não em particular profundidade ou desenvolvimento.
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