Além de ter ficado marcado na História como o primeiro presidente de Angola, Agostinho Neto é um nome incontornável da literatura do país. Sua obra poética é referência obrigatória para entendermos como o movimento anticolonial inspirou a produção artístico-literária angolana. Neste livro, passamos por todos os sentimentos e etapas que envolvem as lutas por independência: conscientização, denúncia, raiva, desilusão, esperança... Em seus versos, há também menção constante a uma negritude e a uma cultura africanas que estavam a ser diluídas pelo colonialismo.
Destaco da minha experiência de leitura os poemas do período em que o poeta esteve preso, pois suas reflexões sobre o cárcere, e também sobre a condição da população local naquele momento (décadas de 1940 a 1960), infelizmente nos levam a encontrar pontos de contato com o que vemos, ainda hoje, também nas prisões brasileiras ou na divisão racial do trabalho tão presente no nosso país. Eu senti que a Angola de ontem tem algo a nos dizer sobre o Brasil de hoje.
Para quem quer refletir sobre o Brasil a partir da História de outros países de Língua Oficial Portuguesa, a obra de Agostinho Neto é uma ótima escolha. Para quem gosta de poesia que trata de temas sociais e políticos, digo o mesmo.
Não sei quais edições do autor estão disponíveis no Brasil, mas em sebos ou em antologias é sempre possível encontrar alguma coisa.