“Um toque de esperança” foi problemático demais para que eu pudesse gostar dele.
Como geralmente começo minhas resenhas apontando aquilo que não gostei, vou fazer diferente. Então: Esse é o típico romance bem escrito, mas que a autora falhou na escolha/desenvolvimento da trama.
É notável o quanto a autora é segura quanto a escrita. Sem falar que ela consegue desenvolver um ritmo próprio e cativante, que guia o leitor com facilidade. Sem abusar de diálogos explicativos ou coisas do tipo, como é muito comum em alguns escritores do gênero.
Mas, todavia, essa segurança/ habilidade quanto a escrita acaba sendo apagada pelo enredo problemático e pelo casal de protagonistas nada funcionais. Eu simplesmente não conseguia torcer para eles ficarem juntos, porque isso era escancaradamente o pior para eles.
Nosso protagonista aqui é o típico machão, Stalker, obsessivo. E gente, ISSO NÃO É FOFINHO!!! O cara te perseguir, invadir suas contas pessoais, controlar seus horários e esse tipo de coisas, são sinais de PERIGO! Não achem que vocês podem mudar alguém ou que aquilo é apenas uma face obscura dentro de um diamante multifacetado, que não é assim! E autora vender isso de um jeito romantizado foi um soco no meu estomago.
Como disse em resenhas anteriores: Eu sei que coisas acontecem com pessoas e que as mesmas geram consequências. Mas esse fato não é desculpa para NADA. Somos nós que decidimos o que será feito daquele ponto em diante e nosso protagonista toma, simplesmente, as piores decisões. (E nossa protagonista não vai muito atrás. Provavelmente o sinal de: “CORRA!”, dessa garota veio quebrado. Por favor verificar e substituir. Obrigada.)
Então, assim: Foi uma leitura boa, no quesito fluidez, mas difícil de engolir.
(E isso, minha gente, é pessoal. Eu simplesmente não tenho mais colhões para romantizar casais/relacionamentos disfuncionais. Me desculpe, minha gente. Mas não vou ser eu a vender esse tipo de imagem [que pessoas podem mudar pessoas problemáticas] e viver com o peso na consciência.)