Alan Moore vem sendo considerado o maior roteirista de quadrinhos das últimas décadas, e não é para menos. Sua obra atinge níveis incontestáveis de qualidade e alcance. Os temas que propõe são profundos e indispensáveis. Os personagens, complexos e interessantes, com os quais podemos nos identificar e a quem nos cerca.
Nesta obra distinguimos, estruturalmente, algumas características que são caras ao autor, como o paralelismo (duas coisas distintas ocorrendo ao mesmo tempo e totalmente relacionadas); a sobreposição de diálogos; as referências à literatura, ao cinema, à cultura popular em geral; a transição quase imperceptível entre um capítulo e outro; o uso equilibrado de metáforas, alegorias, imagens; a amarração de todas as pontas soltas, após uma conclusão fenomenal; e, principalmente, a relevância do assunto, que nos faz pensar no macro e no micro, na sociedade - hipócrita, mesquinha e ao mesmo tempo pungente - e em nós mesmos, levando-nos a perguntar que papel desempenhamos nessa mesma sociedade.
A história retrata uma Inglaterra "futurista" tomada pelo totalitarismo, em que liberdades individuais são cerceadas em nome da ordem, da segurança. A imposição de tal regime autoritário ter-se-ia favorecido pelo caos que se seguiu à terceira guerra mundial, aproveitando-se da fragilidade que sempre acomete a sociedade em grandes momentos de crise.
Mas toda ação que mova a balança provoca uma reação que vai trazer equilíbrio novamente. E eis que surge um revolucionário mascarado, um anarquista que se faz conhecer por "V", disposto a mexer com as estruturas dessa sociedade ditatorial, e não deixará pedra sobre pedra...
Enfim, um hino à Liberdade. Não essa "liberdade" que tenta impor nosso irmão imperialista do Norte, mas a verdadeira Liberdade, sem hipocrisias, sem promessas, sem ilusões.
E não há dúvidas de que, ao terminarmos "V de vingança", não seremos mais os mesmos de antes.