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    Um rio que vem da Grécia -

    Cláudio Moreno

    L&PM
    2004
    112 páginas
    3h 44m
    ISBN-13: 9788525414137
    Português Brasileiro
    3.8
    114 avaliações
    Leram184Lendo15Querem72Relendo2Abandonos1Resenhas7
    Favoritos7Desejados72Avaliaram114

    Com sua prática de professor, sua sabedoria de erudito e sua simplicidade de ser humano que está acima das vaidades acadêmicas ou competições literárias, Moreno nos leva a passear por uma alameda de significados que já eram nossos, nos pertenciam, faziam parte de nossa vida como as pedras da calçada ou as árvores da praça,mas a gente nem sabia. Nossa cultura, ou a maior parte dela,cultura significando não apenas o que está em livro, universidade ou banco de escola, mas no ar que respiramos, na língua que falamos, no modo como vivemos, vem da velha Grécia, como o rio mencionado no título desta obra. Concretamente estamos embarcados nele, navegamos nessas águas. Moreno nos aponta, aqui e ali, pedras, peixes, plantas, indica o rumo dos ventos e o aroma da brisa. São histórias que dão sentido a termos, personagens, que encontramos em comentários diversos, em literatura, em filme, tevê, até em conversa de amigos, mas ficamos no ar sem saber ao certo o que representam. De repente, nas páginas deste livro, estão ao nosso alcance: divertidos ou trágicos, sempre tão humanos quanto nós, de carne e osso. Lugares que pareciam mágicos são reais. Acontecimentos que imaginávamos fantasiosos ocorreram, com vozes, cheiros, ruídos, sangue e pranto. Gente que andou, viveu, amou, morreu como nós. E nos deixou seu legado de riqueza psíquica e emocional nestas breves histórias, crônicas ou seja lá o nome que a gente queira lhes dar: comoventes, ilustrativas, brilhantes, ternas, abrindo portas e janelas; de um lado, atiçando nossa inquietação; de outro, satisfazendo nossa curiosidade.

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    Rolando S. Medeiros picture
    Rolando S. Medeiros09/08/2022Resenhou um livro
    2 (Razoável)

    O Protótipo das Noites Gregas.

    Há um problema de elétrica na sua casa. Após tanto quebrar a cabeça, você chama um eletricista, que em um minuto resolve o problema que lhe tomou horas; você, quando paga o valor total, o faz com um pesinho na consciência, oitenta reais pelo trabalho de um minuto?! A gente, normalmente, não leva em conta que esse um minuto, consumiu centenas de horas de estudo e prática do profissional, e é isso que pagamos. Esse é o caso do Professor Cláudio Moreno, quando em cinquenta minutos, aproximadamente, reconta os mitos (mas não só, faz muito mais que recontar) no seu Podcast “Noites Gregas”. Se fosse resenhar o podcast da mesma maneira que resenho os livros aqui, com certeza daria cinco estrelas; o Professor é um exímio contador de histórias, o melhor que já ouvi de Mitologia no Brasil, e não canso de recomendá-lo. Seu público — um exemplo da habilidade narrativa do Professor — varia de docentes, universitários de letras vernáculas, até donas de casa e marinheiros de primeira viagem nos assuntos gregos. Não me canso de recomendá-lo, experimente o Podcast e veja por si só. (Encontra-se, atualmente, no Episódio #44 — Medeia, inicia com os Deuses do Olimpo e pretende ir até por volta de oitenta, passando por toda a Mitologia Grega). Essa eximia narração traz consigo longos anos de atuação nas salas de aulas, palestras, discursos e muitos escritos. Um Rio que vem da Grécia e Troia (o livro seguinte, que pretendo ler), são exemplos desses escritos. Também um grande gramático, não é surpresa que as crônicas e anedotas são muito bem escritas, nisso não há o que criticar; o problema, no entanto, é na decisão do Moreno de influir uma certa dose de “moral” no fim de toda entrada, que em alguns casos, é bastante inspirada, mas ao longo do livro, a fórmula cansa. Ele é muito melhor quando trabalha no vazio deixado pelas histórias; quando constrói diálogos, narra acontecimentos, dá sentimentos e personalidade às personagens, narra movimentos e ações sutis que não estavam lá originalmente, é delicioso; faz muito disso no Podcast, mas, poucas vezes neste livro. A título de exemplo, uma entrada que ilustra minha relação conturbada com este livro encontra-se na crônica “Como se Fossem as Últimas”. Protiselau, um adolescente apaixonado, recém-casado e com uma vida toda pela frente, foi um dos convocados para a Guerra de Tróia, "quando a armada grega chegou diante de Tróia, os navios ficaram flutuando além da rebentação, sem começar o desembarque; é que um oráculo rezava que o primeiro a pisar naquela praia ia morrer ali mesmo. De pé. na proa de seus navios, prontos para saltar em terra, os guerreiros se entreolhavam, hesitantes; ninguém queria sacrificar-se. Foi quando Protesilau, um dos jovens chefes da Tessália, mandou os remadores avançarem e pulou na água rasa, correndo para a praia, em direção aos troianos. Foi o seu fim: uma lança atravessou o seu escudo e atingiu-o no pescoço, matando-o instantaneamente." Inerentemente uma história interessante, que eu não conhecia, e que deixa diversas perguntas e espaços a serem preenchidos pela imaginação: por exemplo, por qual razão, um jovem com uma vida pela frente, sacrificou-se dessa maneira? Já vi romances psicológicos inteiros serem construídos em “espaços” menores que este… No entanto, o Moreno conclui assim, após uma breve retomada na história do rapaz, totalmente anti-climático, na minha concepção: “Bem menos triste, no entanto - e muito mais produtivo - é imaginar que, como Protesilau, voltamos agora para casa para viver as três horas que os deuses nos deram de inhapa, e tratar de aproveitar nossos últimos 180 minutos, esse tempo raro e valioso que ganhamos de presente. Se conseguirmos entrar no jogo, tudo - até um copo com água fresca - vai ficar mais precioso, mais pungente. É claro que não agüentamos toda essa intensidade por mais de três horas, mas não faz mal. Amanhã recomeçamos." Isso se repete ao longo de quase todo o livro, e vai cansando; é tudo muito interessante, até chegar ao último parágrafo. É muito bom ouvir as histórias da Grécia em geral, sabedorias comuns, acontecimentos popularizados e eternizados, personagens famosos, doses cavalares dos sempre tão interessantes episódios mitológicos… um pouco do Égito, esticando-se até a Dinamarca: há uma entrada bem boa sobre o sábio Rei Canute, que ganhou popularidade recentemente pelo mangá Vinland Saga; as referências também são extensas, desde Heródoto, Plinio, Aulo Gélio, até Jorge Luis Borges e Lawrence das Arábias, portanto, não posso deixar de recomendar para quem se interessa em ler brevemente sobre esses episódios; apenas, tenha paciência, e, leia as crônicas espaçadamente. Enquanto o Podcast não chega ao seu final, e eu fico aqui aguardando com a mesma ansiedade que esperava o episódio de domingo das primeiras temporadas de Game of Thrones, vou me aventurar no segundo livro do Professor, que trata da Guerra de Tróia; e manter-me afastado do seu “Grécia — Cem Lições para Viver Melhor”, que, pelo que o título indica, segue a mesma fórmula desse aqui.

    13 curtidas

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    Avaliações

    3.8 / 114
    • 5 estrelas28%
    • 4 estrelas26%
    • 3 estrelas35%
    • 2 estrelas9%
    • 1 estrelas2%
    Cláudio Moreno profile picture

    Cláudio Moreno

    Cláudio Moreno (Rio Grande, Rio Grande do Sul) é um professor, escritor, colunista e ensaísta brasileiro. Formado em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 1969, Moreno obteve o título de mestre em 1977 e concluiu em 1997 seu doutorado em Letras[1]. No final dos anos 60, concluiu o curso de Letras da UFRGS, com habilitação em Português e Grego. Em 1972 ingressou como docente no Instituto de Letras da mesma universidade, tendo sido responsável por várias disciplinas nos cursos de Letras e de Jornalismo, assim como pela disciplina de Redação para os cursos de Pós-Graduação de Medicina. Em 1977, concluiu o mestrado em Língua Portuguesa com a dissertação Os Diminutivos em -inho e -zinho e a Delimitação do Vocábulo Nominal no Português; em 1997, obteve o título de Doutor em Letras com a tese Morfologia Nominal do Português. Do jardim-de-infância à universidade, estudou toda sua vida em escolas públicas e gratuitas, razão pela qual, sentindo-se em dívida para com aqueles que indiretamente custearam sua educação, resolveu criar e manter o site como uma pequena retribuição por aquilo que recebeu. Coordena, atualmente, a área de Língua Portuguesa dos Colégios Leonardo da Vinci Alfa e Beta, de Porto Alegre, do Sistema Unificado de Ensino. É professor regular das Teleaulas de Língua Portuguesa da Universidade Estácio de Sá, do Rio de Janeiro. Na imprensa, assinou uma coluna mensal sobre etimologia na revista Mundo Estranho, da Abril, e escreve regularmente no jornal Zero Hora, de Porto Alegre, onde mantém uma seção sobre Mitologia Clássica e outra sobre questões de nosso idioma. É autor de vários livros na área de gramática e redação, tendo também escrito um romance e dois livros de crônicas. Assim como Pasquale Cipro Neto, é um dos críticos à proposta do Acordo Ortográfico de 1990.

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    Rio Grande do Sul, Brasil

    Cláudio Moreno