No cinema, "The Revenant" é uma história de vingança. Hugh Glass é deixado para trás muito ferido, após um ataque de urso, sem suas armas, munição, e equipamentos, assim como uma grande perda pessoal. Por vingança, ele sobrevive até encontrar novamente os homens que o abandonaram.
É uma história envolvente e muito bem contada, especialmente no visual, que mereceu ganhar o que ganhou. No entanto, há uma história de origem, que é o livro "The Revenant" publicado anos antes. Como o autor deixa claro, muito de seu conteúdo é fictício. Mas é uma obra que se assemelha muito mais aos fatos reais, como Punke deixa claro na seção final do livro ao discutir a acuidade histórica.
Diferente da versão cinematográfica, que usa mais o ambiente para contar e desenvolver a história, o livro vai seguindo a vida de seus personagens, muito mais centrado nas sensações e pensamentos. Pequenos flashbacks são colocados efetivamente junto aos fatos presentes, criando justaposições que funcionam muito bem. Os diálogos são bem econômicos, isso quando são falados, e não interações baseadas apenas nas movimentações dos personagens. Há muito mais espaço para aprofundamento em um livro, e Punke o utiliza muito bem.
É um clichê mais antigo que andar para frente dizer que o livro é superior ao filme. Nem sempre a comparação é possível, visto que os recursos presentes em uma mídia não necessariamente são as que funcionam em outra, gerando no fim duas versões distintas de uma mesma história. Porém, aqui livro e filme divergem bastante em muitos aspectos, como em relação a família de Glass, a relação com os franceses, a motivação dos índios, o encontro de Glass com FitzGerald e Bridger, entre muitos outros. Na minha opinião, o livro faz um serviço muito melhor que o filme ao contar a história.
Histórias de sobrevivência são fascinantes, ao ver o espírito humano ser testado ao limite. A árvore forte pode até se dobrar com os ventos da tempestade, mas não consegue quebrá-la. "The Revenant" é um dos melhores livros sobre o tema. Recomendo.