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    Dom Pedro II (perfis brasileiros) - ser ou não ser

    José Murilo de Carvalho

    Companhia das Letras
    2007
    268 páginas
    8h 56m
    ISBN-13: 9788535909692
    Português Brasileiro
    4.4
    130 avaliações
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    Neste livro , José Murilo de Carvalho apresenta dois personagens em conflito mútuo. Um, mais conhecido, é o imperador d. Pedro II, que governou o Brasil por quase meio século. O outro é Pedro d?Alcântara, cidadão comum, que amava as ciências e as letras tanto quanto detestava as pompas do poder. D. Pedro ii governou o Brasil por quase meio século, de 1840 até a proclamação da República, em 1889. Durante todo esse tempo fez de tudo para se adequar ao padrão de equilíbrio e austeridade do governante perfeito, sempre racional e dedicado aos interesses do país. Mas, em privado, Pedro d?Alcântara passou a detestar cada vez mais as solenidades públicas e viver o exercício do poder como um fardo. É essa figura contraditória, ao mesmo tempo majestática e rebelde, que José Murilo de Carvalho descreve nesta biografia que vai muito além do retrato convencional do imperador imponente, com suas longas barbas brancas e seus penetrantes olhos azuis. Ser ou não ser era o dilema de um homem que oscilava entre a coroa imperial de d. Pedro ii e a cartola comum de Pedro d?Alcântara. Dando igual atenção a ambas as facetas do monarca, o historiador o revela como uma personalidade complexa e torturada entre o dever e o desejo, o Estado e as paixões pessoais. Por um lado, ficamos assim conhecendo a atuação política de um monar ca que procurou manter a moderação nas lutas políticas do seu tempo, teve a coragem de preservar a liberdade de imprensa e conduziu o Império à vitória na Guerra do Paraguai. Por outro, vem à tona a figura de um homem tímido, oprimido pelo próprio poder, às vezes inconformado com os sacrifícios pessoais que lhe eram exigidos e, sobretudo, nem sempre capaz de conter suas paixões ? como a que por décadas o ligou à preceptora de suas filhas, a condessa de Barral.

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    Paulo César Fratantonio picture
    Paulo César Fratantonio02/10/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O ser mais humano que a terra tupiniquim já viu

    A historia sempre fala de D. Pedro II mas existia o D. Pedro D'Alcântra antes. O Monarca era um dever, enquanto o Pedro foi um ser único, que perdeu os pais muito cedo e foi ensinado como ser um monarca bem jovem. Encontrou nos livros um refúgio - hábito esse que levou a vida toda, sempre com algum livro, revista, jornal debaixo dos braços. Apesar do casamento com Teresa Cristina, típico casamento arranjado, D. Pedro II de fato era apaixonado pela Condessa de Barral. Eles trocaram cartas por toda a vida. Em seu diário, um dos poucos textos relatados no sentimento de tristeza do Imperador, é na morte da Condessa. Ele nunca aceitou dinheiro do governo, pagamento nem coisa semelhante. Ele próprio financiava suas viagens, contraindo dívidas de empréstimos. Tem um episódio nos Estados Unidos, aonde D. Pedro II queria visitar um museu e a entrada custava cinquenta centavos, ele teve que pedir emprestado ao cocheiro. Nas viagens, procurava os sábios, os filósofos, escritores. Facilmente era encontrado em teatros, museus, faculdades, escolas - onde assistia a várias aulas. O que causava uma correria com a sua comitiva para acompanhá-lo por todos esses locais. Sempre foi preocupado com o estudo, aprendizado, e em formar bons cidadãos. Foi patrono de vários cursos científicos, financiava viagens de estudos - dentro e fora do Brasil. Como se não fosse bastante tantas qualidades, ele declinava bajulações - inclusive, pedia que o dinheiro das estátutas e demais adulações fosse doado para instituições de ensino e caridade. Contudo, até mesmo os heróis tem seus vilões. O Imperador e sua filha Isabel fizeram a abolição acontecer, não sem antes conseguir vários inimigos pelo caminho. Então, por não flertar com a elite - sempre pensando no bem da nação acima de tudo - a libertação dos escravos também é um dos pontos que culminam no fim da monarquia. Durante o golpe militar que derrubou D. Pedro II, esse ficou deveras triste, mas nunca deixou que tramassem algum plano para retomada de poder, ou revidar o ataque militar. Parafraseando uma de suas frases: "Se o Brasil realmente quer-me de volta, basta pedir que eu volto, mas nao de outra maneira." Pedro D'Alcantra, em seu refúgio, levou consigo um pouco da nossa terra, literalmente. E mesmo no navio que o levou embora, clamava pelo melhor futuro para o país. Em sua morte, foi colocado sobre um livro do Brasil. Duas de suas maiores paixões na vida, e com a morte, foi ao encontro da terceira, Condessa de Barral.

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    José Murilo de Carvalho profile picture

    José Murilo de Carvalho

    José Murilo de Carvalho foi um cientista político e historiador brasileiro, membro desde 2005 da Academia Brasileira de Letras. Junto com o jurista e professor Celso Lafer, foi o único brasileiro a ser membro dessa Academia e também da Academia Brasileira de Ciências. Professor da Universidade Federal de Minas Gerais e do IUPERJ por vinte anos, foi também professor titular de História do Brasil no Departamento de História do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro. José Murilo de Carvalho foi o sexto ocupante da Cadeira 5 da Academia Brasileira de Letras, eleito em 11 de março de 2004, na sucessão de Rachel de Queiroz. Foi recebido em 10 de setembro de 2004 pelo acadêmico Affonso Arinos de Mello Franco. Livros publicados * A Escola de Minas de Ouro Preto: o peso da glória. Rio de Janeiro: FINEP/Cia Editora Nacional, 1978. 2ª edição, UFMG, 2002. * A construção da ordem: a elite política imperial. Rio de Janeiro: Campus, 1980. * Os bestializados: o Rio de Janeiro e a República que não foi. São Paulo: Companhia das Letras, 1987. Prêmio melhor livro em ciências sociais de 1987 da ANPOCS. * Teatro de sombras: a política imperial. São Paulo: Edições Vértice, 1988. * A formação das almas: o imaginário da República no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1990. Prêmio Banorte de Cultura Brasileira. Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro. * Un théâtre d'ombres: La politique impériale au Brésil. Paris: Maison des Sciences de l’Homme, 1990. * A monarquia brasileira. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1993. * Desenvolvimiento de la ciudadania en Brasil. México: Fondo de Cultura Económica, 1995. * Pontos e bordados. Escritos de História e Política. Editora UFMG. * Dom Pedro II, São Paulo: Companhia das Letras, 2007. * Histórias que a Cecília contava, Editora UFMG, 2008. Escreveu ainda sobre Bernardo Pereira de Vasconcelos e sobre o Visconde do Uruguai, Paulino José Soares de Sousa (1807 - 1866), líder do Partido Conservador nas décadas de 1840 e 50.

    38 Livros
    88 Seguidores
    Minas Gerais, Brasil

    José Murilo de Carvalho