O PREÇO DE UM POLÍTICO O balcão de negócios é o que tem falado mais alto na política, com empresários “investindo” em candidatos que, depois de eleitos, devolvem as cifras em forma de novas leis ou reformas delas e projetos que beneficiam os setores financiadores. É o sequestro da representatividade pela elite empresarial, que provoca o que vemos atualmente no País: um fosso entre o político eleito e os interesses da sociedade. A reportagem de capa desta edição aborda essa relação promíscua também em números. Eleger um candidato tem preço. Acima de R$ 5 milhões de investimento em campanha, a vitória de um candidato a deputado é quase certa, o que está estampado na composição atual do Congresso: dez dos que gastaram acima dessa cifra, em 2014, foram eleitos; outros 59 que receberam entre R$ 3 e R$ 5 milhões, a maioria foi eleita. Dos que arrecadaram menos de R$ 500 mil, somente 3% se elegeram. A edição também faz um retrato nada animador da mineração e das construções de mineroduto por todo o País, em um esquema de interesses e burlas, cujo resumo trágico em parte foi visto no desastre de Mariana, em Minas. O rompimento da represa de rejeitos da Samarco é uma das ameaças que a reportagem constatou, mas não a única: redução da oferta de água, poluição e muitos incômodos e riscos para as comunidades atingidas, apesar de algumas delas viverem a ilusão do progresso, do emprego e dos lucros trazidos pelas mineradoras, que como toda a iniciativa privada opera pelo lucro máximo e custo mínimo. Os embaraços e mal feitos são ainda mais gritantes no caso da dívida pública brasileira, como mostra a presidente da associação Auditoria Cidadã, Maria Lúcia Fattorelli, entrevistada da edição. O País que não consegue avançar em uma reforma política também patina no esquema milionário da dívida pública: ainda que nem o governo saiba para quem e o quê está pagando, continua pagando altíssimos encargos que consomem quase a metade do orçamento da União. O assunto é ainda mais gritante quando o governo precisa esfolar o povo, cortar programas e investimentos sociais para transferir dinheiro para os detentores dessa dívida. Boa parte é fraude, diz Fattorelli com a experiência de quem auditou as dívidas do Equador e Grécia. Caros Amigos ainda traz reportagem sobre o sindicalismo francês que, apesar dos arroubos em ações ousadas, como o rapto de diretores de empresas, definha com as novas gerações, que pouco se interessam pela militância; sobre a construção de uma série de submarinos, dois convencionais e o nuclear e as discussões que já ocasionaram; entrevista com Eric Nepomuceno, que aborda temas urgentes para o Brasil e também sobre a obra biográfica de Luiz Carlos Prestes escrita pela filha, Anita Leocádia. Boa leitura!
Caros Amigos #224 - A Primeira à Esquerda
não informado
Caros Amigos
2015
48 páginas
1h 36m
ISBN-1: 0
Português Brasileiro
Edições (1)
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