O livro não é uma biografia, mas uma análise da cidade de Atenas no século V AEC. Não é abordado apenas a parte política, mas também a sociedade, economia, a construção dos monumentos, os mitos de criação da cidade, os pensamentos filosóficos, as festas religiosas, o teatro grego (inclusive comentando as obras de Ésquilo, Eurípedes e Sófocles), o nascimento da “História” e o surgimento da Democracia.
A autora escreve uma obra acadêmica, focada em debater tópicos, analisar bibliografia e fontes históricas, não sendo uma leitura de “entretenimento”. O início do livro é um pouco denso, com muitos nomes e referências, mas depois a leitura fica mais leve.
A parte mais biográfica do livro tenta jogar uma luz sobre a personalidade e pretensões de Péricles e seu papel na “invenção” da democracia. As guerras contra a Pérsia são descritas para contar o crescimento da hegemonia de Atenas, e quanto à Guerra do Peloponeso, são analisadas apenas sua causa.
Há um pouco de repetição de algumas análises, a autora está constantemente informando que irá revisitar assuntos posteriormente. Outro ponto que me incomodou foi o alto número de vezes que aparece “o autor da Constituição de Atenas”, assim referido por sua autoria ser debatida, mas que é comumente atribuída a Aristóteles.
O último capítulo do livro antes da conclusão, “A imagem de Péricles na posteridade”, é uma comparação maçante de bibliografia que testa a paciência do leitor que não tem pretensões acadêmicas.
Edição bem-feita da Editora Estação Liberdade, capa cartão brilhante, folhas brancas (papel offset) de boa gramatura (90g/m² – não sendo transparentes), mapas em preto e branco ao longo do texto e um mapa colorido que aprece tanto na segunda como na terceira capa, além de 9 fotografias coloridas.
Leitura rica em conteúdo, mas indicada apenas para aqueles realmente interessados no assunto e que não tenham problema com um texto mais acadêmico.