Há duas coisas que preciso dizer a respeito dessa obra.
A primeira delas se refere a Santo Tomás, o Santo Doutor, tema desse livro. Se antes eu o admirava, quanto mais o admirarei agora depois de conhecê-lo melhor (apesar de, como disse o próprio Chesterton, o livro se tratar de apenas um esboço da vida desse Santo).
É impressionante como um homem tão inteligente possa ser tão humilde. É de se admirar que Santo Tomás, apesar de sua mente gigantesca, tenha procurado uma vida simples e oculta, fugindo dos "holofotes" e até mesmo sentido-se incomodado quando o assunto em questão era ele próprio.
Certamente esse é um daqueles detalhes da vida dos santos que fogem da compreensão do homem comum. Santo Tomás foi totalmente na contramão da ideia "ser alguém". E, fazendo isso, tornou-se um farol luminoso que brilha até os dias de hoje.
A segunda observação que devo fazer se refere a Chesterton.
Sua lucidez é incrível. Seus comentários são inteligentíssimos e sempre temperados com uma pitada de bom humor. Suas críticas ao homem moderno são afiadas e certeiras.
É impressionante como hoje em dia nos deparamos com comentários absurdos e superficais acerca daquilo que há de mais profundo neste mundo - e fora dele.
O homem moderno estufa o peito e veste uma orgulhosa autoconfiança para negar a Deus e até mesmo a própria realidade.
Ah, se a humanidade soubesse que tantos - e possivelmente a maioria - dos seu questionamentos revoltosos sobre religião, suas concepções loucas acerca da vida ou seus devaneios filosóficos, já possuem tão convincentes respostas...
Bastaria que abrissem e lessem um livro de Santo Tomás de Aquino ou de Chesterton e veriam se abrir diante de si uma perpectiva totalmente nova e sensata da realidade.
Este livro é, por fim, um esboço da vida de um gigante escrito por outro gigante. O resultado disso é esta obra excelente que certamente vale a pena ser lida.