Entrar
    Book cover
    Compartilhar
    Editar
    • Sinopse
    • Edições0
    • Vídeos0
    • Grupos0
    • Resenhas11
    • Leitores588
    • Similares0
    Skoob logo

    Saiba mais

    Quem somosTermos de usoFale conoscoCentral de ajudaPrivacidade

    Fique por dentro

    Livros em destaque

    Explore

    LivrosAutoresEditorasLeitoresCortesias

    Siga nas redes sociais

    Baixe o app

    Google PlayApp Store

    Avenida Niévski - e notas de Petersburgo de 1836

    Nikolai Gógol

    Cosac Naify
    2012
    134 páginas
    4h 28m
    ISBN-13: 9788540502208
    Português Brasileiro
    3.9
    188 avaliações
    Leram313Lendo10Querem263Relendo2Abandonos0Resenhas11
    Favoritos17Desejados263Avaliaram188

    Um dos contos mais representativos de Nikolai Gógol, Avenida Niévski faz parte da série de histórias petersburguesas escritas pelo autor russo entre 1832 e 1842, ambientadas na capital do império. Aqui, Gógol aponta para a modernidade e faz do espaço urbano o centro da narrativa. “Ah, não acredite nessa avenida Niévski! [...] Tudo é ilusão, tudo é sonho, nada é o que parece!”, diz o narrador a certa altura. O ambiente da cidade, enganosamente cotidiano, emerge com ares fantásticos e absurdos e determina o destino do tenente Pirogóv e do jovem pintor Piskarióv, verdadeiros flâneurs russos que se deixam levar pelos encantos de duas passantes. Com tradução de Rubens Figueiredo, o livro é ilustrado com gravuras de 1830-35 que reproduzem a avenida de ponta a ponta. A disposição do texto nas páginas está dividida em dois blocos espelhados, numa referência ao fluxo dos passantes por ambos os lados da via. Em dois volumes embrulhados num jornal da época, a edição inclui ainda “Notas de Petersburgo de 1836”, crônica de Gógol inédita no Brasil, em que o autor discute o cenário cultural da cidade.

    Resenhas (11)Ver mais
    Carla Silva picture
    Carla Silva01/01/2010Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Gogol, um precursor do modernismo

    Avenida Niévski está entre as primeiras produções de Nicolai Gógol (1809-1852). O escritor acha-se com 26 anos e demonstra um olhar modernista "avant la lettre": a novela está repleta de características fartamente encontradas mais tarde na literatura e nas artes do século XX. Precursor, Gógol tem um ponto de partida assaz simples: logo nas primeiras linhas, faz o elogio da Avenida Niévski, então famosa em Petersburgo (e que será coadjuvante em novelas posteriores do seu compatriota Dostoiévski): "Não há nada melhor do que a Avenida Niévski, pelo menos em Petersburgo; para essa cidade ela representa tudo. Com o quê não brilha essa rua - beldade de nossa capital?" O elogio é demasiado aberto, excessivo; para não ser ironia, Gógol teria de ser menos artista, menos sensível aos efeitos de um tom acintoso no elogio como é o começo da narrativa. Mas ele não é menos artista, ao contrário; do início ao desenvolvimento até a conclusão veremos seu domínio da escrita, e, portanto, do seu objetivo. A Avenida Niévski é estonteante, um local de passeio, de encontro entre conhecidos, de exibição de elegância ou beleza; Gógol vai demonstrando sua peculiaridade enquanto dá-nos um retrato da rua em flashes que são recortes do que se passa nela; seus transeuntes, arrolados por ele para nosso olhar, são identificados por detalhes: bigodes, chapeuzinhos, mangas de vestimentas femininas, cinturas, sobrecasacas, um par de olhos, um "maravilhoso nariz grego" (pág. 19), um pezinho, uma gravata... Recortes que o escritor desfila ante nós à maneira modernista: como escreveu Marshall Berman, a técnica descritiva nessas páginas iniciais tem algo de uma tela surrealista (ou cubista). Gógol assim faz um panorama da avenida das primeiras horas da manhã até o anoitecer; aqui, então, passa a nos falar de dois conhecidos que vêem duas jovens mulheres passando pela rua. Um, o pintor Piscariov, é uma figura tímida, talentosa, idealista; Gógol trata de pô-lo em contraste com a "praticidade" e a "sofisticação" da avenida, o que não pressagia nada de bom para o personagem. O outro homem é o tenente Pirogov, um tipo bem diverso: vaidoso, metido a conquistador, segue a moça que lhe chamou a atenção e, se nem tudo lhe sai bem, ele não é da espécie de indivíduo cuja natureza possa sofrer uma decepção sentimental. Este é o enredo de Avenida Niévski: a visão de uma rua, dois homens que olham duas mulheres, e o que lhes acontece ao separarem-se para irem atrás de seus sonhos... Gógol encerra a história no mesmo tom leve e irônico do começo, só que agora com afirmações inequívocas das suas "reservas" quanto à avenida: "Oh, não acredite nesta Avenida Niévski! Sempre que caminho por ela protejo-me melhor com a minha capa e tento não olhar para nada com que me deparo. É tudo um embuste, uma ilusão, nada é aquilo que parece ser! (...)" (pág. 89-91). A conclusão, portanto, é que a Avenida Niévski é um lugar de ilusões, de irrealidade, de aparências. Mas o que Gógol não nos diz explicitamente, porém nos deixa em dúvida, é - será, afinal, que só os que nada levam a sério, só os que não empenham o coração no que "vêem", podem atravessá-la incólumes?

    9 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.9 / 188
    • 5 estrelas23%
    • 4 estrelas47%
    • 3 estrelas27%
    • 2 estrelas2%
    • 1 estrelas1%
    Nikolai Vasilievich Gógol profile picture

    Nikolai Vasilievich Gógol

    Gogol foi um proeminente escritor russo de origem ucraniana. Apesar de muitos de seus trabalhos terem sido influenciados pela tradição ucraniana, Gogol escreveu em russo e sua obra é considerada herança da literatura russa. Toda a sua obra é fundada no realismo, mas um realismo muito próprio com rasgos do que viria a ser um surrealismo. Apesar da crítica fulminante, a obra é hoje apontada como absolutamente russa.

    71 Livros
    384 Seguidores
    Oblast de Poltava, Ucrânia

    Nikolai Vasilievich Gógol