A vida de Marisa é regida pelo controle. Seja à frente do seu trabalho ou da vida dos filhos, ela é racional, mantendo-se sempre fria, um ser à parte das banalidades, cuja única preocupação é ser um exemplo. Olga é sua antítese. Sentimentos à flor da pele, dor flagelando a carne, pensamentos embaçados pelo esquecimento proporcionado pelo álcool. Sozinha, preocupa-se em apenas ser, em um mundo cercado por fatos que não reconhece mais como seus. Enquanto isso, Ana e Verônica esbarram com o acaso. Duas senhoras solitárias, vizinhas e antagônicas. Será que um dia alguém acharia que poderiam viver em paz? Mais ainda, será que poderiam se apaixonar? Duas jovens livres e independentes. O que as impede de ficar juntas? Mulheres que não sabem chorar é mais que uma história de amor entre iguais. Junto a estas personagens tão humanas, o leitor vê-se despido dos preconceitos, pudores e medos. Ora crua, ora poética, a trama nos obriga a enfrentar o espelho e se ver como nunca imaginou antes. Pois ao mergulhar neste romance, o que fará você pensar não é a forma como vê o amor, mas sim a forma com que ele se volta em sua direção. Esteja preparado.
Mulheres Que Não Sabem Chorar
Lilian Farias
Edições (1)
Ver maisEu esperava mais.
Já tinha lido um pouco sobre As mulheres que não sabem chorar, e tive curiosidade por ser um livro que quebra padrões e fala sobre temas ainda considerados polêmicos. Lilian Farias escreveu sobre quatro mulheres muito diferentes, mas ao mesmo tempo, muito parecidas, e que acabam tendo suas histórias interligadas. Ana é uma jovem com um passado pra lá de conturbado, pra dizer o mínimo, que leva uma vida desordenada e tenta lidar com os seus traumas da melhor maneira que consegue. Marisa é uma mulher forte, determinada e bastante prepotente que de repente se ver sozinha depois dos filhos partirem para um intercâmbio, sem saber exatamente o que fazer da vida agora. Olga é uma mulher devastada pelo vício e pela morte da filha única. Foi obrigada a ser quem não era por muito tempo e encontrou na bebida o seu único consolo para aplacar as mágoas. Apesar do livro contar como tendo quatro protagonistas, Verônica na verdade é apenas uma personagem secundária. Ela aparece bem menos que as outras três e sua única importância dentro da obra é ser a paixão de Ana. Ana foi minha personagem favorita. E Olga também não ficou muito distante do meu afeto. Mas Marisa, nossa, que personagem difícil de engolir. Ela é prepotente, preconceituosa e mesmo, cruel. Não acho que ela merecia alguém tão especial quanto a Olga. Por mais que eu tenha ficado feliz pelo que ela armou para pegar um serial killer de mulheres, não muda o fato de que, no começo, ela humilhava Olga da forma mais cruel apenas porque ela se sentia atraída por ela. E o que ela faz no final mostra perfeitamente que ela não era boa pessoa e nunca amou a Olga. Fiquei com uma puta raiva do final. Enfim, a história dessas personagens é permeada de preconceitos, violências, descobertas e horrores. Algumas passagens do livro são extremamente perturbadoras, como a cena do hospital psiquiátrico. Acho que ele deveria vim com alerta de gatilho, não é todo mundo que pode e deve ler um troço daqueles. Eu estudei o holocausto brasileiro na faculdade, mas por mim, nunca mais lia nada à respeito daquilo. É importante relembrar esse tipo de coisa para que não seja esquecido, nem volte a acontecer. Mas para mim, é demais. Fora essas partes, o livro é uma boa leitura. Eu esperava bem mais, no entanto. Achei o final corridíssimo, achei a resolução do caso do Rômulo superficial, a autora exagerou nas frases de efeito e a editora exagerou na negligência; havia MUITOS erros de digitação e houve até troca de nomes de personagens. Concluindo, eu leria sem muitas expectativas. Ainda sim, é um livro que quebra algumas barreiras e derruba certos preconceitos. Recomendo.
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