Empregado de críticas
O motivo de eu ter adiado tanto essa leitura foi um conjunto: a sinopse (li meses antes e no meio da leitura) não captava a essência do livro. É um livro de ironias, desconstrutor de preconceitos com classe social, aborda a educação infantil e separação. Na sinopse, porém, não tinha toda essa carga, nem metade do humor. A capa é muito simples, combina com as ilustrações (poucas) do livro, mas não chama atenção e não faz jus. A história conta progressivamente uma história a partir da contratação de Mariana para ser nova babá de Taninha, e do início ao fim os personagens maravilhosamente se mantém em seus caráteres. Didi, a mãe de classe alta divorciada, escondendo seu passado mais humilde e maltratando Mariana, mostra como o ser humano pode ser ignorante ao deixar a responsabilidade de criação da filha nas mãos da babá - e, quando algo dá errado, de quem será a culpa? Além disso, insiste em não ver o que Taninha faz de errado pois ela é sangue do seu sangue. Contudo, a grande protagonista foi, para mim, a dedicada Mariana que, aprofundada na determinação e na audácia (de acordo com as amigas de Didi), conseguiu seus diplomas. Uma menina de história, viu? Foi criada pela vizinha da avó em estado de serviço escravo e, quando acha um emprego para mudar-se, tem nas costas o peso de uma família em conflito. Os diálogos são muito interessantes - não logo de início, mas, passadas as primeiras páginas, o tom vai se elevando e o clímax mesmo é perto do final da história, numa data querida. Prometo reflexões positivas acerca de preceitos que temos como certo, mas doutro referencial não é tão claro assim.

