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Este livrinho é uma fofura só, apesar de tratar de um tema sério e que não mudou praticamente nada com o passar do tempo, considerando que foi lançado no ano de 1977. Possui apenas 107 páginas e pode ser lido em 1 horinha ou até menos dependendo do seu ritmo de leitura. Em "O Menino que veio para ficar" temos a emocionante história de Zé Pedro, um garoto que vive com a mãe num lugar pobre e medíocre, um cômodo no fim da rua, uma antiga garagem com banheiro pra fora. A mãe é uma mulher maltratada pela vida e que demonstra não ter nenhum amor pelo filho, por vezes ela chega mesmo a admitir que ele não foi desejado e que mesmo hoje, depois de crescido, ainda não é. "- Preciso dar um jeito em você... - e a voz soou grave, ameaçadora. - Eu não posso mais com a sua vida...Mas tem gente que é capaz de te curar...Eu já sei o que vou fazer com você..." Depois de um episódio em que Zé Pedro e um amigo roubam umas fitas cassete numa loja, o menino chega em casa e descobre que a mãe está arrumando as coisas dos dois para irem embora, ela não diz para onde, só fala que cansou daquele lugar horrível e sem futuro e que precisa procurar um lugar melhor para viver. Sendo assim, ela arrasta Zé Pedro com ela, porém, o que ele não esperava acaba por acontecer, a mãe o abandonou numa igreja numa cidade desconhecida e assustadoramente grande. Zé Pedro vai parar num abrigo para crianças órfãs e de rua. Este abrigo é coordenando há vários anos por um casal que gosta de ser chamado de ‘pai e mãe’ pelas 300 crianças que moram no local. Zé Pedro custa a entender que esta é uma casa que abriga, educa e alimenta as crianças, está muito desconfiado que veio parar numa casa de correção devido ao roubo das fitas, tanto que ele só pensa em fugir e vive maquinando planos para a sua fuga que acaba nunca acontecendo. Aos poucos ele vai percebendo que na verdade deu foi é sorte na vida e que tem finalmente a oportunidade de conviver com pessoas boas e que têm muito a lhe ensinar. O que mais me chamou a atenção no livro foi que mesmo após 37 anos da sua publicação, a realidade não mudou. Quantas crianças são abandonadas pelos pais à mercê de sua própria sorte, muitas vezes até em idades bem inferiores à de Zé Pedro que já era um menino de 13 anos. A pobreza da população não diminuiu, ao contrário, ela só aumentou e cada vez mais vem se alastrando. Existem muitos ‘Zé Pedros’ por aí, mas poucos têm a sorte e oportunidade que o nosso personagem teve! Recomendo este livro a todos que gostam de uma leitura jovem, leve e descompromissada e que possui uma belíssima imagem de perseverança e integridade.






