Sete Ventos, Débora Almeida. Editoria Autografia: Rio de Janeiro. 2015. 110 p.
❝Eu perdi... Eu perdi... Eu perdi o meu espelho. Eu perdi o meu espelho e agora não sei mais quem eu sou, como eu sou. Eu saio na rua procurando os meus pares, mas não encontro quem possa contar a minha história. Quem possa me dizer como eu sou, quem eu sou. Eu me sinto como uma cega que precisa dos outros pra se enxergar❞ (p. 28).
Sete Ventos é uma peça teatral, encenada, dirigida e produzida pela atriz Débora Almeida. No palco (e no livro), Débora dá vida, voz e corpo a um texto que, por meio da experiência da mulher negra, da infância à velhice, evoca questionamentos tão atuais quanto necessários. Assédio, racismo, desigualdade social, discriminação religiosa, relações abusivas de trabalho, história afrobrasileira e uma série de inquietações que espetam os espectadores e os conduzem a uma reflexão sociocultural forte.
Ao longo da peça, Bárbara (a protagonista), escritora e filha de Iansã, passa para o público a voz e a história de diferentes mulheres negras que guiam suas reflexões. Sua avó, sua mãe, sua filha, sua irmã, sua orixá dão eco à declaração de Débora Almeida que diz "a história de uma mulher negra nunca é só de uma mulher negra".
Doutora Samara, irmã de Bárbara, é, sem dúvidas, a personagem que mais me cativou. Desbocada e desafiadora, Samara contava que sua meta era empretecer o Leblon, bairro rico do Rio de Janeiro, quando alguém gritou "Aldeota!", bairro rico de Fortaleza. Samara respondeu enfaticamente: "Olha, meu amor, eu sou do Rio de Janeiro, mas a gente pode empretecer a Aldeota também! Mas morando no alto! E não é no morro não, é na cobertura!".
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Eparrei, Oyá!
Marielle presente!