O PROFISSIONAL DO SÉCULO XXI

    HAMILTON WERNECK

    REDORD
    2003
    174 páginas
    5h 48m
    ISBN-13: 9788501066633
    Português Brasileiro

    Entrevista - O profissional do século XXI O professor e pedagogo Hamilton Werneck imaginou este livro para profissionais interessados no crescimento pessoal e no desenvolvimento de valores compatíveis com seu tempo. O profissional do século XXI é um livro para um novo tempo e para pessoas que desejam ser cada vez mais atualizadas e felizes. Psicólogos, administradores, entre outros, encontrarão neste livro uma abordagem singular sobre o relacionamento humano e profissional, acumulado ao longo dos anos em conferências por todo o país. Segundo o autor, o ser humano chegou ao auge da evolução e, enquanto homo videns e cosmicus é capaz de se integrar ao universo inteiro. Imaginação e criatividade conjugam-se a valores éticos e ecológicos, formando o conjunto estratégico deste profissional, cuja personalidade é uma aliada da simplicidade. O profissional do século XXI apresenta um texto leve, fácil, ainda que profundo e transformador, mantendo compromisso com a mudança e reinvenção da sociedade. Um livro para compreender o mundo do século XXI. Quais são os principais paradigmas ligados às relações humanas e profissionais do século passado que ainda persistem e que devem ser superados? Vários paradigmas configuraram o mundo do século XX, sobretudo a linearidade e a segmentação — esse modo de tudo ver em pequenos pedaços — a uniformidade, oriunda da produção em série e, portanto, despersonalizada. Enfim, os paradigmas do século passado reportam ao pensamento de René Descartes e Isaac Newton. O século XX ainda teve de conviver com um reforço do positivismo a esses paradigmas e a República Brasileira alicerçou-se na filosofia de August Comte e, como conseqüência, conviveu com muitas ditaduras, geralmente para onde deságua o pensamento positivista em relação à arte de governar. E quais são os novos paradigmas que se apresentam nesta virada de século e de milênio e que devem ser considerados? Precisamos nos adaptar à velocidade com que as coisas acontecem. Hoje, mais que nunca, precisamos também saber lidar com as diferenças e a complexidade. No passado ainda recente tínhamos a impressão de que quase tudo estava determinado e podíamos prever o futuro próximo. Hoje, nada disso é mais possível. Percebemos a ordem, a desordem e a reorganização. Quem, em sua empresa, não estiver atento aos novos fatos poderá perder o controle do mercado e falir quando menos esperar. Para conviver com esta nova situação é preciso ter a habilidade de fazer a interação entre os vários saberes das pessoas em nossas vidas e empresas. Quais características principais poderíamos enumerar com sendo emblemáticas do novo século? Acreditar nos projetos, mais que, simplesmente, “vestir a camisa”. Procurar os valores. Atrás de um produto irá sempre um valor e uma cultura. No momento, dá-se importância muito grande ao cérebro e às emoções. Até pouco tempo procurava-se uma instituição que ensinasse a pensar. Hoje, além de pensar, o profissional precisa sentir. Sabe-se que as grandes corporações desta virada de milênio são na sua maioria empresas que vendem conhecimento e não produtos industriais. O que é necessário para que o profissional destes novos tempos se adapte a esta civilização do conhecimento? Cada era tem a sua escola. O conhecimento produzido pela era das máquinas foi repetitivo. Desenvolveu-se uma educação para copiar. Para vencer as dificuldades do mundo de hoje o profissional precisa passar por uma escola ou universidade que o ensine a imaginar. Sem imaginação, criatividade e superação de conflitos não se conseguirá sobreviver. Einstein dizia que a imaginação é mais importante que o conhecimento. Os que “vendem” conhecimento assim fazem porque, antes, imaginaram muito. Quais as diferenças de comportamento mais necessárias e características destes novos tempos que o profissional deve cultivar em si mesmo para se destacar em sua área de trabalho? A arte e uma educação e visão voltadas para esse campo do conhecimento desembocará numa visão estética do mundo e da vida. As ações, os produtos e o lidar com a natureza precisam ter beleza. Trata-se de contemplar o belo, defender o belo e promovê-lo. O mundo atual é parceiro. A visão atual superou o “ganha-perde” e adotou o “ganha-ganha”. Há lugar para todos. O “canibalismo” capitalista de segunda onda cedeu lugar ao capitalismo parceiro de terceira onda. Ser capaz de lidar com as diferenças e com as dificuldades leva Edgar Morin a afirmar que, nestes tempos de transformação e mudança, precisamos estar preparados para lidar com quem tem dificuldade de aprender e de superar obstáculos. Um profissional não pode furtar-se ao seu contexto e, portanto, ajudar as pessoas em seu entorno, promover a ética e manter os compromissos serão fundamentais para o êxito profissional. A grande revolução dos costumes, acontecida nos anos sessenta, ainda gera conseqüências nas relações profissionais e pessoais dos dias de hoje. Que valores poderiam ser destacados como importantes para serem incorporados no dia-a-dia das relações de trabalho? Um deles é a competência, sobretudo no sentido da competência humana. Scott Perry diz que competência é um conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes. Quando falamos de “atitudes” estamos reunindo todos os aspectos afetivos da competência. As pessoas desejam ver métodos e processos diferentes. O fazer diferente marca este tempo. Além disso, é importante manter o estilo próprio, não sendo um imitador, porém, um ser altamente criativo nas suas relações e ações. A mentalidade materialista e imediatista do passado recente parece ter sido totalmente superada e novos conceitos resultantes da “aldeia global” em que se transformou o mundo começam a vigorar por toda parte. Quais desses conceitos são considerados importantes para suas relações no mundo profissional? Nos dias de hoje, a sabedoria está na simplicidade. Os valores materiais começam a ser superados pelos valores espirituais, comunitários e ecológicos. Defender a terra e seu meio ambiente é uma das megatendências de nossos dias. Outra megatendência é o tribalismo. Grupos se reúnem e desenvolvem até uma gíria própria. A convivência dos humanos com esses vários tipos de seres: sapiens, demens, videns e cosmicus produz uma riqueza constante na medida em que verificamos inúmeros valores nas diferenças e na despadronização. Tudo isso, na realidade, caminha numa direção: a auto-realização profissional. Há um profundo desejo em cada pessoa de “vir a ser”. Todas estas mudanças de paradigma precisam ser incorporadas pelos profissionais do magistério, para que possam ser retransmitidas de forma massiva para os que estão nas escolas e universidades. Que sugestões poderiam ser dadas neste sentido? Primeiro, a quebra da separação entre sujeito e objeto. Precisamos, pelo menos, deixar o pensamento cartesiano e aderirmos às propostas de Immanuel Kant, o interacionismo. Segundo, é imprescindível atentar para a contextualização, os símbolos e os sinais de cada grupo humano. Terceiro, é necessário que as escolas estejam centradas na pessoa do aluno, muito mais que nos programas e conteúdos. Quarto, é importantíssimo ensinar a pesquisar e fazer projetos, trabalhar em equipe e superar o medo. Cabe às escolas mudar totalmente o seu sistema examinador para um sistema de avaliação do rendimento escolar. A quinta sugestão está focada no trabalho em rede. Cada escola precisa ser uma rede integrada dentro e fora das paredes das salas de aula. Cada mestre não pode mais ser uma linha de produção, mas, um sistema integrado de construção do conhecimento.

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