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    A Árvore da Mentira - A mentira tem raízes curtas

    Frances Hardinge

    Novo Século Editora Ltda
    2016
    304 páginas
    10h 8m
    ISBN-13: 9788542807950
    Português Brasileiro
    3.8
    531 avaliações
    Leram709Lendo58Querem1002Relendo1Abandonos42Resenhas76
    Favoritos53Desejados1002Avaliaram531

    Na inóspita ilha inglesa de Vane, em pleno século XIX, os Sunderlys desembarcam, atraindo atenções e suspeitas. Quando o reverendo Erasmus, patriarca da família e proeminente estudioso de ciências naturais, é encontrado morto em circunstâncias obscuras, sua filha, a jovem e impetuosa Faith, está determinada a desvendar o mistério. Para isso, precisará de coragem não apenas para confrontar dolorosos segredos mas também para desafiar as implacáveis tradições da sociedade em que vive. Investigando os pertences do pai em busca de pistas, ela descobre uma planta estranha. Uma árvore que se alimenta de mentiras sussurradas e dá frutos que revelam verdades ocultas. Quando a espiral das sedutoras mentiras de Faith fica fora de controle, ela compreende que as verdades estilhaçam muito mais. Combinação de horror, romance policial e realismo fantástico, esta arrepiante história da premiada escritora britânica Frances Hardinge, autora de "Canção do Cuco", promete arrebatá-lo do começo ao fim.

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    Tamirez Santos picture
    Tamirez Santos29/08/2018Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A Árvore da Mentira

    Logo que vi o anúncio desse lançamento fiquei com vontade de conferir, pois a premissa de uma árvore que se alimenta de mentiras me pareceu muito intrigante. E é claro que esse mistério é somente uma das coisas que instiga a protagonista Faith. “Havia um apetite dentro dela, e isso não era coisa de menina. […] Toda a informação – qualquer uma – chamava Faith, e havia um prazer delicioso, venenoso, em roubá-la sem ser vista.” Na época em que esse livro se passa as mulheres não tinham voz, uma menina deveria aprender a cuidar da casa, ser recatada, dançar e se portar frente a sociedade. Nada de genialidade ou ambição de ter uma profissão ou algo do tipo. Porém, Faith sempre foi curiosa, e sendo o pai um cientista natural ela tinha acesso aos livros de sua biblioteca, aprendendo por ai tudo o que podia. Mas, a garota que sempre admirou o pai e queria sua atenção e carinho, sabia que toda a glória estava reservada ao irmão, o verdadeiro herdeiro, e não a ela, aquela que custaria ao pai um enorme dote. Esse conflito social da posição da mulher, por mais que fosse uma convenção da época, me incomodou bastante. Há um momento onde um médico fala sobre medir as cabeças e sempre descobrir a das mulheres menor, nos definindo portanto como menos inteligentes, por causa disso. Ignorando totalmente a lógica de que a estrutura corporal das mulheres normalmente também é menor, o que hoje também já varia muito. Antes de entrarmos na parte mais sobrenatural da história, onde a árvore realmente aparece, em função da época e da menção à Origem das Espécies, achei o livro com várias semelhanças à Evolução de Calpúrnia Tate (resenhado aqui). Nesse outro livro também temos uma menina curiosa, no mesmo momento temporal da história, aprendendo coisas que meninas não deveriam aprender e lutando contra o preconceito da sociedade para se tornar uma cientista. Porém as semelhanças param ai e é quando Faith começa a investigar sobre a morte do pai que tem seu primeiro contato com a árvore. Foi nesse aspecto que o livro deixou um pouco a desejar. Ao contrário do que pensei, a trama não tem como foco descobrir a origem da planta ou como ela funciona, mas sim investigar o assassinato do reverendo, ficando a árvore completamente em segundo plano. As revelações finais trazem apenas um fiapo de teoria sobre o que ela poderia ser ou de onde originalmente veio, deixando todo o mistério de sua origem intacto e somente em teorias na cabeça do leitor. Acho que essa técnica funciona em alguns livros, mas não é bem empregada aqui, principalmente porque a árvore dá o nome ao livro e parece ser a protagonista em um primeiro olhar. A escrita da autora é boa, mas não tem uma fluidez imediata. Pra mim a trama só engrenou depois da página 120 e até lá tive uma longa jornada, principalmente porque foi nessa primeira parte que as semelhanças com a outra obra prevaleceram. Quase todo o ambiente do livro é bastante sombrio e é possível captar isso através das descrições e narrativa do mesmo. Faith também muda bastante ao longo das páginas e seu contato com a tal árvore deixa uma marca na personalidade da menina. “A mentira é como uma fogueira, Faith estava aprendendo. Primeiro precisava ser nutrida e alimentada, mas com cuidado e gentileza. Um sopro delicado atiçaria as chamas recém-nascidas, mas uma baforada vigorosa demais as apagaria. Algumas mentiras ganham corpo e se espalham, crepitando de empolgação, e não precisam mais ser alimentadas. Mas então estas não são mais suas mentiras. Tem vida e forma próprias, e não há como controlá-las.” Apesar dos contrapontos, o livro apresenta uma boa história de mistério e no final revela quem é o assassino do reverendo, mostrando-se ser alguém que eu não tinha apontado o dedo em nenhum momento da trama, ganhando assim alguns pontos comigo. O que realmente me puxou pra baixo foi a falta de atenção dada ao fator que deveria ser principal: a árvore da mentira.

    21 curtidas

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    Avaliações

    3.8 / 531
    • 5 estrelas27%
    • 4 estrelas36%
    • 3 estrelas25%
    • 2 estrelas9%
    • 1 estrelas3%
    Frances Hardinge profile picture

    Frances Hardinge

    Frances Hardinge é uma escritora de chapéu preto. Rumores dizem que ela é totalmente feita de veludo. Fontes confiáveis - que preferiram não se identificar - afirmam que ela tem uma irmã gêmea do mal que se veste de branco (mas não usa chapéu). Tais informações não puderam ser apuradas. Frances nasceu em Kent, Inglaterra, onde o vento uivava, e sempre gostou de histórias sombrias. Ganhou notoriedade com a obra juvenil "Fly by Night", traduzida para mais de 15 idiomas e vencedor do Branford Boase Award 2006. Seu mais recente trabalho, "Canção do Cuco", publicado no Brasil pela editora Novo Século, foi escolhido como um dos 100 melhores clássicos infantis modernos pelo Sunday Times e listado pelo CILIP Carnegie Medal.

    17 Livros
    40 Seguidores
    Kent, Inglaterra

    Frances Hardinge