Meu primeiro contato com a história foi por meio da adaptação cinematográfica do livro. Acompanhei a série anos atrás e me apaixonei (fiquei obcecada) por Outlander. Enfim, eu tinha tanto estima por essa história que me recusava a lê-la em e-book, pois eu precisava ter o livro em mãos já que eu tinha certeza de que esse seria um favorito da vida. (bem, não foi) Ao final, me rendi ao e-book com medo do preço dos livros físicos dessa série (que são absurdos e não abaixam por nada, nunca vi!) E ainda bem que fiz isso!
O livro é bom - a escrita é bem detalhista, mas agradável. Os personagens são fáceis de se apegar e os acontecimentos do dia a dia de um clã escocês do século XVIII são interessantes de se ler.
Entretanto, nessa resenha, vou apontar os pontos que, para mim, foram negativos.
Para começar, esse livro tem muitos problemas. Não só pelas diversas temáticas pesadas que envolvem a história (que, mesmo já tendo assistido a série, eu não estava esperando), mas pela construção dos personagens, dos diálogos e até mesmo do enredo.
A Claire é uma personagem agradável, na maioria das vezes, mas é uma péssima protagonista. Acho que o fato dela ser uma mulher moderna não foi bem explorado - muitas vezes ela se mostrou submissa, dependente, imatura e conformista (e como! para mim, essa é a principal característica dela), contradizendo muito com uma postura que ela, como enfermeira na guerra durante tantos anos, deveria ter. Ela se tornou a mocinha constantemente em apuros que ficava parada esperando o cavaleiro vir salvar, salvo exceções.
O Jamie foi minha maior decepção. Achava ele apaixonante na série (mas faz anos desde que assisti!), mas no livro me pareceu um grosseiro, cabeça fechada, versado na arte do monólogo. Ô homem que fala! São tantas páginas que ele passa falando sobre seu passado e sobre si mesmo que parece que ele tem 80 anos. O pior disso é que depois de toda a sua narrativa, ele mal se interessava em fazer perguntas à Claire, que quando respondia algo mais pessoal, fazia-o em poucas frases e isso já era suficiente - pronto! uma super ligação íntima se instalava entre eles. Também não consegui cair no papo romântico dele, que muitas vezes chegava a ser meloso, para ser rapidamente substituído por uma atitude grotesca de homem das cavernas. O cara pode ser do século que for - o fato dela ser de uma época diferente (assim como nós, leitoras, também somos!) deveria ser suficiente para ela não aceitar algumas atitudes dele. (Isso não muda o fato de que achei ele um personagem muito forte, corajoso e inteligente)
Não me agradou a química do casal e nem como alguns acontecimentos eram atropelados por outros (como aconteceu no final), sem deixar um tempo para o leitor digerir e como a autora nos obriga a entender detalhes de cenas violentas absurdas que não tinha necessidade alguma.
O tamanho do livro é bizarro em comparação a quantidade de acontecimentos (foram 32 horas de audiobook!), o que tornou a leitura arrastada e cansativa.
Minha avaliação boa (3,5) vai para os elementos incríveis desse livro - como a proposta inicial, a cultura escocesa, os personagens fortes e a mitologia celta (que podia ter sido mais explorada nesse livro) - e, sinceramente, para a estima que tenho por essa história, que não foi muito bem mostrada nessa resenha.