Olá caros leitores e caríssimas leitoras, preparados para mais uma resenha literária. Venham comigo descobrir minhas impressões à respeito da obra.
Desbravar As Reputações foi um tiro no escuro para mim. Desconhecia o autor por completo, mas resolvi ler a obra por causa do tema abordado, da capa, que me pareceu bem expressiva e representativa, e da opinião de Mario Vargas Llosa. Após terminar a leitura da obra, a certeza é: preciso ler outros títulos de Vásquez.
A obra começa com uma possível homenagem a Mallarino. Ele é um cartunista famoso, o maior da Colômbia. Durante muitos anos, ele fez presença na vida política nacional, seja destruindo reputações de políticos ou denunciando a situação precária do povo. Depois de tantos anos modificando a opinião pública, o governo quer homenageá-lo.
Por fim, após alguma reflexão, o cartunista cede e resolve receber a homenagem oferecida. Contudo, este ato irá gerar uma série de conflitos internos, na esfera sentimental e familiar, entre seus amigos e também com sua consciência. No evento, alguns acontecimentos tornam-se o estopim do desenterro de memórias. A partir destas, o livro é construído.
Através de Mallarino, Vásquez toca em uma série de assuntos densos e complexos. O primeiro ponto e o mais evidente é o papel da imprensa dentro de uma sociedade. Percebe-se, sem qualquer dificuldade, como uma notícia ou uma caricatura pode destruir a vida de uma pessoa ou de um grupo. Quando temos a vinculação de algo em uma fonte de notícias, há, por trás, muito mais do que apenas um fato sendo exposto: há um jogo político-ideológico que, muitas vezes, não nos damos conta. A imprensa passa a ter um poder tão assustador que gera a seguinte reflexão: até onde ela pode ou deve ir?
Além disso, Juan Gabriel trabalha muito bem a questão da memória coletiva. Sabe aquela estória de que o povo não tem memória? Pois bem, é verdade. No Brasil temos inúmeros exemplos dessa desmemoriação coletiva, principalmente no ramo político. Isso é abordado com perfeição na obra. O que acontece hoje, o povo esquece na semana seguinte. É assustador esse dado, mas é real! Há sempre um novo fato a ser pensado, um novo escândalo a ser revelado. Contudo, esse processo de esquecimento histórico não deve e não pode ser natural.
Contudo, Mallarino também sofre com essa falta de memória coletiva, mesmo que em menor nível. Quando se dá conta disso, a culpa permeia a sua mente. Na verdade, no protagonista há uma falha memória coletiva e individual. Isso, juntamente com sua vida amorosa e familiar altamente dilacerada, faz com que acompanhemos de maneira muito interessante o lado psicológico do protagonista.
Outro ponto bastante interessante da obra é a forma de seu início e do fim. O livro começa com um fato aparentemente aleatório, uma homenagem que um cartunista recebe do governo. Da mesma forma, termina de maneira quase abrupta, quase que inesperada. Há, claramente, um fluxo temporal do antes e do depois. As Reputações é um recorte. O objetivo é nos fazer pensar, não acompanhar um romance fechado.
Desta maneira, resta-me indicar a obra. Se você procura um livro profundo, que gere reflexão e aborde assuntos complexos que estão cotidianamente presentes na nossa sociedade, essa obra é mais do que indicada para você. Em resumo, As Reputações é um livro crítico e inteligente, sobretudo profundo, capaz de abordar questões importantes ao qual não nos damos conta devido à correria do cotidiano do século XXI. Finalizo por aqui, espero que tenham gostado da resenha e até a próxima!