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    Histórias de Duas Cidades - O melhor e o pior da Nova York de hoje

    John Freeman

    Bertrand Brasil
    2016
    320 páginas
    10h 40m
    ISBN-13: 9788528620269
    Português Brasileiro
    3.8
    8 avaliações
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    Uma poderosa coletânea de textos sobre as idiossincrasias da vida na maior cidade do mundo. Como se sentem, diante do abismo de riqueza presente nas grandes metrópoles, as pessoas que vivem e trabalham em Nova York? Histórias de Duas Cidades mistura ficção e reportagem para transmitir a discrepância entre o conforto de uns e as agruras de outros. Das vidas subterrâneas de pessoas sem teto às travessuras de um grupo de alienados no turno da noite de um centro de abastecimento, os textos aqui se concentram na dimensão humana da penúria e da prodigalidade que coexistem na mesma cidade. Em sua campanha eleitoral, o prefeito Bill de Blasio usou frequentemente a expressão “histórias de duas cidades” para se referir ao que é a vida em Nova York hoje em dia. Esta antologia dá vida ao significado dessas palavras, nas ruas e edifícios da metrópole.

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    Marcelo Vieira picture
    Marcelo Vieira06/07/2016Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A Nova York que pouca gente vê

    Composta por John Kander e Fred Ebb, New York, New York foi tema do filme homônimo dirigido por Martin Scorsese em 1977. Dois anos mais tarde, Frank Sinatra a regravou, tornando a canção sua marca registrada. A letra meio que resume o que muitos nova-iorquinos sentem a respeito da cidade: “se você é capaz de conseguir o que quer que seja aqui, você é capaz de conseguir em qualquer lugar.” É a vida no modo Hard, meu amigo; muito diferente do que se vê nos principais cartões postais de lá. Quase metade da população de Nova York vive à margem da pobreza. Nas últimas duas décadas, a concentração de riquezas se inclinou notavelmente na direção dos mais ricos, que correspondem a um por cento dos habitantes. E, com os ricos ficando mais ricos e os pobres ficando mais pobres, a classe média está, aos poucos, desaparecendo. Tal desigualdade é algo que John Freeman, ex-editor da Granta e organizador deste Histórias de Duas Cidades, viu de perto: seu irmão, Tim, teve seus dias sem teto em Nova York, forçado a pular de abrigo em abrigo até conseguir se reestruturar financeira e emocionalmente para desistir do sonho de viver na cidade. Em Histórias de Duas Cidades, um elenco de 27 autores do mais alto gabarito expõe a Nova York que só quem já viveu ou vive lá conhece: a concorrência intensa e o individualismo que disso resulta; o sucesso que nem sempre é recompensador ou gratificante; o custo de vida como fator segregador; a habitação como preocupação constante; a frustrante e aterradora noção de que a esperança ainda é a última que morre, mas morre. O que há em comum nesses textos — que abrangem diversos gêneros literários —, além da paisagem nova-iorquina, são os sintomas da vida urbana moderna, seus personagens e situações. No conto de Taiye Selasi, o destino une um russo, sua filha, um taxista indiano e uma garota de programa. Já Edmund White recorre à história real do libretista Lorenzo Da Ponte para lembrar o quanto sempre foi difícil imigrar para os Estados Unidos e se estabelecer no país. Vemos situações das mais diversas, do deslumbre de um Michael Salu recém-chegado de Londres com a cultura hip-hop de NY à infância proletária de Junot Díaz, autor da Record, que reouve seus livros de RPG após invadir a casa do ladrão. Já na reta final do livro, Teju Cole apresenta manchetes de 1912 que comprovam que “a cidade que nunca dorme” sempre foi o lar de desajustados, mas também de pessoas criativas e cujas obra e influência perduram através dos tempos; gente que, muito antes de Sinatra soltar a voz, sacou a mensagem: “só depende de você.”

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