Camille Claudel é uma das mulheres mais impressionantes do fim do século XIX. Dotada de genialidade incomum, ousou competir com o maior gênio masculino de sua profissão na época, muito famoso e mais velho que ela: Rodin, seu mestre e seu amante; e foi esmagada pelo sistema por ser mulher, chegando até a loucura. A redescoberta de sua história, no fim do século XX, é trabalho dos que se dedicam a revelar os meandros da opressão feminina. O livro propõe o estudo do complexo processo de criatividade com os seus aspectos construtivos e destrutivos, e o sofrimento de pessoas tocadas pelas genialidade artística. O filme Camille Claudel, de Bruno Nuytten, a fez mundialmente conhecida, tornando a sua vida um exemplo vivo de como funcionam as engrenagens da repressão contra a mulher.
Camille Claudel - Criação e Loucura
Liliana Liviano Wahba
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Ver maisEterna injustiça a uma indomável sonhadora
Li alguns livros biográfico (ou quase) de artistas desde o ano passado e esse foi o melhor deles. Li sobre Van Gogh, Toulouse Lautrec, Degas, Munch e Cézanne. Peguei o livro sobre Camille Claudel motivada por um interesse em conhecer melhor a artista, tendo assistindo o filme da década de 80 que contava com Isabelle Adjani no papel de Camille. A autora se propõe a analisar a vida e a obra de Camille, especialmente em seu âmbito psicológico, apresentando aspectos de sua vida e como isso a afetou e moldou sua obra O fato de ter uma autora mulher já é uma qualidade por si só. Basta de homens escrevendo sobre ela, além de ser raro ter homens dispostos a escrever sobre mulheres artistas nesse período, quando o faziam era sempre em tom absurdamente discriminatório e eu diria deprimente. Isso é bem evidente no capítulo final. Gostaria que a reliadade fosse outra, mas parece que é a mulher a responsável por reescrever a história das mulheres injustiças pela narrativa excessivamente masculina. Camille Claudel ainda foi bastante elogiada em sua época, o que me espanta, porque ainda assim teve toda a sorte de infortúnios e injustiças. Ao menos duas vezes senti vontade de chorar lendo sua história, e o que enriquece esse obra é ter uma autora psicanalista, que não se prende ao tecnicismo (descrevendo puramente seu trabalho), mas aprofunda nos aspectos mais relevantes e penosos que moldaram a vida de Camille e consequentemente sua produção. Entendo muito pouco de Jung (pra não dizer nada), e o capítulo que dedicou para análise foi o mais difícil para mim, mas ainda bem rico. O livro tem uma linguagem relativamente simples, a leitura se deu de maneira fluida e eu gostei particularmente da entrevista com Rodin, que não ocorreu de verdade mas foi construída com base em declarações do próprio artista, o que tornou o capítulo mais dinâmico e ao mesmo tempo imersivo. O capítulo seguinte traz declarações de artistas, intelectuais, teóricos e outros da época sobre Camille, e encerra o livro com uma carta que me encantou. Acrescento um pequeno elogio sobre a análise de algumas das obras mais importantes da artista, é um capítulo que pretendo revisitar. Muito claro e bem escrito, direto e ao mesmo tempo apresente aspectos da psicanálise que enriquecem o potencial de cada obra.
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