Há alguns dias, recebi o convite do Filipe para lermos juntos um livro da autora argentina Samanta Schweblin, "Distância de Resgate". No último domingo, nos encontramos para fazer essa leitura. Passamos um pouco mais de duas horas lendo e um tempinho a mais comentando sobre a história que acabáramos de conhecer.
Não vou negar que foram horas agradabilíssimas. Não sabíamos nada sobre o livro e, juntos, fomos desbravando as páginas uma a uma. A autora já nos joga diretamente nos acontecimentos da vida de Amanda, Nina, Carla e David; não somos introduzidos lentamente, não nos é dado tempo para adaptação. Estando perdidos no vórtice dos acontecimentos, fomos levados por Samanta a uma história de maternidade, mistérios sobrenaturais, personagens quebrados e um pouco de terror e suspense.
O livro não deixa muito bem definido o que está acontecendo; a narrativa da autora é singular e até meio excêntrica. As personagens são intrigantes e os elementos apresentados são incomuns e curiosos. Em alguns momentos, foi preciso fazer uma pausa para respirar fundo e tentar organizar um pouco os fatos. Quando consegui compreender minimamente o que estava acontecendo, a história faz uma curva de 180° e me surpreende novamente.
A intensidade que a autora transmite em sua escrita faz com que você segure o livro e siga até o final sem conseguir largá-lo. A urgência me abraçou no momento em que iniciamos a leitura, restando-me apenas consumir essa história em um único fôlego, passando algumas horas imersa na estranha mística dessa narrativa.
Sem nunca entregar nada facilmente, a autora nos convida a desenvolver nossos próprios argumentos e considerações sobre o que estamos lendo, levando-nos a refletir sobre os mistérios ocultos no relacionamento entre mães e filhos, sobre o fino fio que os liga e sobre o que acontece quando ele é arbitrariamente rompido.
Esta foi uma leitura enigmática que me pegou de surpresa e me fez pensar em várias resoluções para o mistério que envolveu Amanda, sua filha Nina, e Carla, seu filho David, sem nunca conseguir ter certeza de qual delas era a certa.
Agradeço imensamente ao Filipe pelo convite e pela tarde de domingo intensa que sua escolha de leitura me proporcionou. Para quem ficou curioso com o livro, recomendo que entre nessa empreitada sem buscar muitas informações; isso tornará a experiência mais rica e impactante.
Obs.: assisti ao filme também, mas, infelizmente, não vale muito a pena comentar. Ele me fez gostar um pouco menos do livro e diminuiu a empolgação para escrever esta resenha. Arrependi-me amargamente de ter assistido ao filme logo após a leitura. As explicações são vazias e menos empolgantes, e as poucas mudanças feitas conseguem reduzir o impacto do mistério e do clima sobrenatural do livro. Fica a dica: é melhor passar longe do filme.