Álvares de Azevedo (Literatura Comentada) -

    Bárbara Heller, Luís Percival Leme de Brito, Marisa Lajolo

    Abril
    1982
    112 páginas
    3h 44m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Figura controvertida na literatura brasileira, o poeta Álvares de Azevedo teria sido romântico? ultra-romântico? gênio, anjo ou demônio?.. Oscilando do lírico ao macabro, do piegas ao sarcástico, sua obra é alvo de polêmicas. De temática intimista, saudosista, tendo como personagens principais as mulheres e a morte, é a obra mais representativa da segunda geração romântica situada entre o indianismo de um Gonçalves Dias e o engajamento político de um Castro Alves. Acusada de se distanciar das coisas do Brasil, sua obra assume, sob a influência de Byron e Shakespeare, feição e clima europeus. No entanto, ela reflete um jeito brasileiro de sentir o mundo, expresso através do sarcasmo e da ironia, da descrição que o poeta faz de suas idéias e sentimentos mais intimos, do tom de "malandragem" sugerido em grande parte de seus versos. Um dos nossos primeiros poetas a usar a ironia como técnica poética e a incorporar aos seus versos elementos do cotidiano Alvares de Azevedo anuncia o que seria, mais tarde, uma das constantes do Modernismo. Neste volume, tem sua vida e obra comentadas.

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    Ester A29/08/2025Resenhou um livro
    2.5 (Razoável)

    Desagradável revisão do Romantismo

    A literatura de Álvares de Azevedo, resumida neste livrinho, apresenta uma boa oportunidade de revisitar as aulas de literatura da escola. É irônico, pois eu amava o Romantismo, mas, hoje em dia, percebi porque os professores desprezavam-no. Boa parte dos poemas de Azevedo, embora tenha versos harmoniosos, possui um conteúdo melodramático, já que se centram no sofrimento do eu-lírico por desilusões das mais fúteis, uma vez que as carências emocionais ali representadas giram em torno de ideais, não de possibilidades concretas de felicidade; o hedonismo exige tanto para ser satisfeito que o prazer, tão simples em essência, torna-se impossível. Disso nasce uma artificialidade muito previsível nas incessantes reclamações de alguém cujas expectativas imaturas causam o próprio "sofrimento". Raras obras, como "Namoro a cavalo", sugerem que essa artificialidade resultava da exigência do mercado editorial pela adequação a uma tendência, e não da falta de imaginação de Azevedo, que se mostrou um artista competente, embora seu estilo seja sufocante, denso, claustrofóbico. Sinto culpa por não ter lido a última obra no livrinho, que consistia num discurso do autor. Tentei, é verdade, mas os poucos parágrafos que suportei estavam tão cheios de palavras gigantescas em função de nada que não permiti jogar fora meu tempo assim.

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