Jorge Amado é um dos raros escritores de nosso tempo cuja obra é universal. O sucesso de seus trinta romances, traduzidos em um número incalculável de idiomas, deve-se sobretudo à universalidade de um tema: a luta pela liberdade e pela dignidade do homem. Albert Camus, comentando Jubiabá, escrevia, em 1939, no Alger-Républician: "Que ninguém se engane. Não se pode falar em ideologia num romance onde toda a importância é dada à vida, isto é, a um conjunto de gestos e de gritos, a uma harmonia entre impulsos e desejos, a um equilíbrio do sim e do não e a um movimento apaixonado que dispensa qualquer comentário." Amado conseguiu se fazer ouvir por toda a parte, falando apenas de um lugar do imenso e longínquo Brasil, o seu: as terras da Bahia. Agora, pela primeira vez, ele faz um retrospecto de sua obra e de si mesmo. Recontando sua vida, ele fala de seus livros. Ou o inverso. Porque são sempre os romances que fornecem o ponto de partida a essas conversações com Alice Raillard, interlocutora privilegiada pela longa amizade com Jorge Amado e sua mulher Zélia Gattai e pelo profundo conhecimento que possui de suas obras de que foi com freqüência a tradutora para o francês. O jovem "rebelde" da Bahia, o escritor prodígio que aos dezoito anos já publicava seu primeiro romance, O País do Carnaval, o deputado comunista, o exilado na Europa, a experiência com a política, a literatura, as artes, o pequeno mundo dos amigos "fraternais" e as reflexões sobre o trabalho do romancista... tudo está aqui, uma vida e uma obra que se confundem.

