A última página -

    Michael Krüger

    Companhia das Letras
    1995
    216 páginas
    7h 12m
    ISBN-10: 857164442x
    Português Brasileiro

    Um jovem etnólogo formado pela Universidade de Leipzig desembarca no Brasil em 1939, graças a uma bolsa do Terceiro Reich, com o propósito de realizar pesquisas para sua tese de doutorado. Seu orientador, especialista em raças em extinção e membro do Partido Nacional-Socialista, dera-lhe instruções para que não se envolvesse com exilados, sobretudo judeus e comunistas, de modo a não prejudicar a objetividade da pesquisa. Com ironia e pungência, Michael Krüger parte dessa situação para falar das diferenças entre os homens - não apenas de raça, cor e credo, mas também de caráter -, da nossa incapacidade de compreendê-las e da importância do ato de narrar para a sobrevivência do homem.

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    Gabriel Alessandro dos Santos08/07/2019Resenhou um livro
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    A Última Página

    A sinopse deixa a entender que a obra se trata do relacionamento de amizade entre um alemão com os estudos patrocinados pelo governo nazista e judeu. Ambos em uma expedição entre tribos indígenas no Brasil. Portanto o que mais dá ênfase na história é a personalidade do alemão, Richard, mas ainda assim, o judeu, Leo é o personagem que se destaca pela influência que desperta nos outros personagens. É sempre interessante o embate de contrastes, no caso aqui , alemão e judeu sob a sombra do holocausto, porém esse embate não é muito explorado, salvo quando Richard diz o que Leo acha dele ( o livro é narrado em primeiro pessoa): . "A seus olhos, nunca deixei de ser o estudante alemão, o desastroso resultado de um adestramento acadêmico, incapaz de me adaptar a um ambiente estranho: uma natureza desprovida de força, que venerava o puro porque tinha medo de todas as misturas." . Richard é um homem fechado pro mundo, desapegado das coisas e pessoas e tem a consciência disso. O mais perto de afabilidade de que chega é em seu relacionamento com o seu cachorro Stanley e as lembranças que Leo deixou , mas pela influência que recebeu do que um sentimento querido, embora o reconhecimento de tais coisas vieram com a velhice. . "A vida não tinha muito o que fazer comigo, e a morte nada queria de mim. Somente uma miserável insuficiência instalará-se em meu peito, como um animal." . É uma excelente obra, mesmo falando muito pouco sobre as culturas indígenas as quais os personagens se envolveram. Mas em relação à exploração de personalidades complexas como as de Richard e Leo não deixa a desejar.

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