Neste volume tem Cruso (assim mesmo, sem o é), tem Sexta-Feira (isso não mudou) e tem também uma mulher, Susan Barton (que não havia antes). Eles convivem numa ilha durante cerca de um ano até serem resgatados por um navio. Cruso morre durante a viagem de volta, Susan e Sexta-Feira passam a viver na Inglaterra. Lá, ela tenta convencer Foe, um escritor, para que ele conte sua história, assim publicar um livro e ganhar dinheiro. A história de Susan é a da mulher que buscava a filha desaparecida, que deveria estar na Bahia, em Salvador. Mas não. Na volta para casa ela foi abandonada num bote depois de um motim de marinheiros e vai ter à ilha habitada por Cruso e Sexta-Feira. Tudo isso, a ilha, sua vida lá, o convívio com os dois homens, eis o material para Foe trabalhar.
Bem, até certo ponto a história narrada por Coetzee através de Susan Barton parece muito aventurosa e inventiva, esse negócio de retomar as aventuras dos dois conhecidos personagens de Dafoe. Mas aos poucos o livro começa a ficar meio estranho, quer dizer, o episódio contado pela perspectiva de Susan Barton não encontra a receptividade que ela esperava receber do escritor Foe, as coisas ficam estagnadas e duvidosas. Pois a história que ele deseja contar sobre esse mesmo episódio (quer dizer, aquilo que Dafoe contou) não bate com a dela, claro. Estamos no terreno da metalinguagem. Melhor, já estávamos nele desde o título, na verdade. Foe é Dafoe? Foe é Dafoe + Coetzee.
Lido entre 06 e 09/03/2019.