Sobre a Mentira (Ecclesiae de bolso #17) -

    Santo Agostinho

    Ecclesiae
    2016
    148 páginas
    4h 56m
    ISBN-13: 9788584910267
    Português Brasileiro

    No que consiste a mentira? É lícito mentir? Existe alguma circunstância em que a mentira pode evitar um mal maior? Santo Agostinho examina essas questões à luz da filosofia e, como é comum ao seu pensamento, também no contexto teológico. Inicia este opúsculo com um vigoroso trabalho de definição, depois expõe uma classe tipológica de oito tipos de mentiras existentes, demonstrando a gravidade de cada uma delas, além de propor uma breve reflexão ética sobre a gravidade do ato de mentir. Escrito em 395, ano em que foi consagrado bispo de Hipona, este opúsculo é considerado obra da juventude de Agostinho, mas que ele mesmo acabou por incluir entre os seus mais importantes escritos, pois "contém muito do que é útil para o exercício da mente e ainda mais proveitoso para a moral, suscitando o amor pela verdade". Nessa tradução inédita, do latim para o português, Santo Agostinho ensina, portanto, que "não podemos seguir outra regra, a não ser a de que nunca devemos mentir". Porque "em qualquer um dos exemplos dos santos e de seus costumes, não podemos observar um exemplo sequer de mentira, forte o suficiente para o tomarmos como justa imitação, repetindo-o em nossas vidas. E isto se confirma com mais clareza nos textos sacros. Portanto, jamais devemos aceitar a mentira".

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    Ana Rosa Galvão Domingues15/09/2019Resenhou um livro
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    Truncada? A quem não tem o costume de ler as obras do Santo e, portanto, não está habituado à sua linguagem robusta e retoricamente clássica, a leitura torna-se um tanto difícil, especialmente por propor lições lógicas de validação ou não dos argumentos propostos. Nada menos a esperar, ao se tratar de (1) santo e (2) doutor da Igreja; de uma vida pregressa de honrarias humanas (acadêmicas) e divetimentos ilícitos (luxúria); da conversão do maniqueísmo à fé católica por meio dos diálogos Santo Ambrósio e das orações de Santa Mônica. Neste opúsculo, o Santo define e debate, dentre outras matérias, circunstâncias nas quais são ou não convenientes ou lícitas as mentiras proferidas pelo ser humano, cuja natureza possui tendência também ao mal. É necessárioter atenção ao ler este escrito, de preferência, initerruptamente, pausando para as reflexões, claro; quando não puder fazê-lo, procurar ler, ao menos, um item por vez, para bem proveitar a compreensão. Tudo isto à guisa de sugestão, claro. A atenção é necessária dado a tantos recursos de retórica, de gramática e lógica usados pelo Santo. Ele distingue ainda os tipos de mentira e como agir nas situações-limite, onde as (aparentes) únicas opções são a mentira ou um mau maior. Sempre lembrando ao leitor: evite-se tanto quanto puder a mentira.

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