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    O Seminarista (Grandes Leituras) -

    Bernardo Guimarães

    FTD
    1999
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-13: 9788532263353
    Português Brasileiro
    3.7
    24 avaliações
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    Em O Seminarista (1872), Bernardo Guimarães (1825-1884) traz a história de Eugênio e Margarida. Durante a infância no sertão mineiro, os dois travam uma relação de amizade que, com o passar do tempo, torna-se amor. No entanto, diante da vontade de seu pai, Eugênio é obrigado a ir para um seminário e lá torna-se sacerdote. Só que o futuro lhe reserva uma surpresa.

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    Vitor Augusto  picture
    Vitor Augusto 19/03/2026Resenhou um livro

    O Seminarista

    Estou tentando ler O Seminarista há alguns anos, desde o ensino fundamental, mas sempre tive dificuldade em terminar a obra, principalmente por causa de seu final (curiosamente, terminei o livro com uma idade próxima à de Eugênio ao fim da narrativa). Eu já sabia que se tratava de uma história romântica com desfecho trágico, algo comum no período do Romantismo, e o próprio autor dá sinais do destino dos personagens ao longo da narrativa. Ainda assim, o impacto do final foi maior do que eu esperava. Como mineiro e alguém que cresceu no interior, me identifiquei bastante com o universo apresentado por Bernardo Guimarães. As paisagens, os pássaros e a natureza transmitem uma sensação de liberdade e leveza, enquanto o seminário aparece como um ambiente rígido, frio e cheio de privações. Esse contraste reforça o conflito vivido pelo protagonista. Sendo também católico, consigo compreender a ideia de uma vida dedicada a Deus, com suas renúncias. No entanto, o autor mostra como essa escolha, quando imposta, pode se tornar um sofrimento. Eugênio é impedido de viver plenamente seus dois grandes amores: sua fé e seu amor por Margarida, o que revela uma crítica à sociedade da época e às pressões familiares e religiosas. Esse conflito, construído ao longo da narrativa, torna o desfecho ainda mais impactante. Além disso, a opção do autor por um final marcado pela loucura intensifica ainda mais essa tragédia. Diferentemente de obras como Romeu e Julieta, em que a morte preserva o amor em sua forma idealizada, aqui ocorre uma destruição mais profunda. Eugênio não apenas perde sua amada, mas também perde a si mesmo e a capacidade de viver sua fé de forma consciente. Pessoalmente, eu gostaria de um final diferente, talvez mais próximo de uma tragédia em que a morte preservasse, de alguma forma, os sentimentos do protagonista. No entanto, compreendo que a escolha de Bernardo Guimarães reforça a crítica social presente na obra, ao mostrar que as imposições da sociedade podem levar não apenas ao sofrimento, mas à completa destruição da identidade do indivíduo.

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