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    Contos do Terror (Clássicos Econômicos Newton) -

    Edgar Allan Poe

    Newton Compton Brasil
    1997
    94 páginas
    3h 8m
    ISBN-10: 8573770244
    Português Brasileiro
    3.9
    129 avaliações
    Leram203Lendo4Querem46Relendo2Abandonos3Resenhas4
    Favoritos13Desejados46Avaliaram129

    O gato preto; A queda da Casa Usher; O enterro prematuro; O coração denunciador; Uma descida no Maelström; O manuscrito encontrado numa garrafa; O poço e o pêndulo.

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    Jorge Cruz Jr. picture
    Jorge Cruz Jr.17/11/2010Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Mesmo aqueles que, como eu, não conhece nem se interessa muito por contos de terror, precisam ler para admirar o trabalho de Edgar Allan Poe. Apesar da edição lida não trazer nenhum vínculo lógico entre os contos selecionados e apresentar excesso de erros de português, algo imperdoável para qualquer leitor, Contos do Terror é uma interessante porta de entrada para aqueles que desejam conhecer o trabalho do escritor. A ausência de ligação entre os textos tem como fator positivo não cansar aquele que não morre de amores por histórias do Além. Estes destacarão a forma como Poe desenvolve a psique de todos os personagens, desde o primeiro parágrafo dos contos, todos narrados em primeira pessoa. Aspecto fundamental para que tais escritos sejam lidos até os dias de hoje. Alguns temas tabus ou pouco conhecidos no século XVIII são retratados de forma direta e muito fiel. A maneira concisa com que o personagem de O Gato Preto – conto que abre Contos do Terror – admite mal tratar os animais; a Síndrome do Pânico do protagonista de A Queda da Casa Usher – segundo conto – são alguns dos exemplos. Neste há o uso proposital de frases e parágrafos mais longos, sendo o discurso do personagem tencionado a reforçar a dualidade de sua personalidade, motivando suas atitudes. As conclusões a princípio fantásticas cedem espaço para finais completamente “mundanos”. A mistura de ficção com linguagem jornalística, dividindo O Enterro Prematuro (o terceiro do livro), foi um dos aspectos que me chamou mais atenção. Há espaço para grandes momentos neste conto, como no parágrafo final que, sem comprometer a conclusão da historia, Poe diz: “Há momentos em que, mesmo aos olhos serenos da Razão, o mundo de nossa triste Humanidade pode assumir alguma semelhança com o Inferno; mas a imaginação dos homens não é Carathis para poder explorar impunemente todas as suas cavernas” (pg. 50 da edição lida). No quarto texto, O Coração Denunciador, logo nos primeiros parágrafos Poe ambienta o leitor de uma forma que poucos conseguem. Não tem como não se envolver em trechos como esse: “Vocês me acham louco. Os loucos não sabem de nada. Mas vocês deveriam olhar pra mim. Deveriam ter visto como procedi cautelosamente – com quanta atenção – com quanta prudência – com quanta dissimulação lancei mão à obra!” (pg. 51). É a ideia de matar com ares de confissão. Uma pena que esse conto colecione erros de português na edição pouco caprichada. No quinto texto, Uma Descida no Maelstöm, Poe trata da fúria da natureza. Mas é no conto seguinte, O Manuscrito Encontrado em uma Garrafa que ele desfila um pouco do estilo que o consagrou. O longo primeiro parágrafo é um dos mais brilhantes de Conto do Terror que, apesar de excelente, está longe de ser memorável. O melhor fica para o final, em O Poço e o Pêndulo. Em uma clima angustiante de tortura que lembra o filme Oldboy, trata de um homem condenado pela Inquisição. Utiliza-se uma riqueza de detalhes que, assim como nos outros contos, aproxima tanto as histórias da realidade que é difícil não acreditar que Poe não retrata as lembranças de alguém que, de fato, existiu. Esse é o seu maior mérito: envolver por completo o leitor.

    1 curtida

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    3.9 / 129
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    • 4 estrelas30%
    • 3 estrelas30%
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    Edgar Allan Poe profile picture

    Edgar Allan Poe

    Segundo filho de David Poe e Elizabeth Arnold, ambos atores, Edgar Poe ficou órfão ainda criança e foi adotado por um casal rico de Richmond, Virgínia, Jonh Allan e Frances Kelling Allan. Isso lhe permitiu ter uma educação de qualidade, bem como fazer uma longa viagem pela Inglaterra, Escócia e Irlanda com os pais adotivos. Regressou aos Estados Unidos em 1822 e continuou seus estudos sob a orientação dos melhores professores dessa época. Dois anos depois, entrou para a Universidade de Charlotesville, distinguindo-se tanto pela inteligência quanto pelo temperamento inquieto, que o levou a ser expulso da escola. A seguir, verificou-se um período ainda pouco esclarecido na vida de Poe, no qual se registram viagens fora dos Estados Unidos. Retornou a seu país em 1829 e manifestou desejo de seguir a carreira militar. Foi admitido na célebre Academia de West Point, mas acabou expulso poucos meses depois por indisciplina. Com a morte da mãe adotiva, John Allan voltou a casar-se, com uma mulher muito jovem que lhe deu dois filhos. Isso impediu que Poe se tornasse herdeiro da fortuna paterna e ele se afastou da casa do pai adotivo, deixando Richmond. Após um período de relativa dificuldade, conheceu uma certa prosperidade ao vencer simultaneamente os concursos de conto e poesia promovidos pela revista "Southern Literary Messager". O fundador da publicação, Thomas White, convidou-o a dirigir a revista que rapidamente se impôs ao público. Durante dois anos, Poe esteve a frente do periódico, onde pôde exibir seu talento, que se manifestava num estilo novo, no conto e na poesia, bem como pelos artigos de crítica literária que revelavam seu rigor e sensibilidade estética. Escritor bem-sucedido, Poe casou-se com Virginia Clemm. Entretanto, ao fim de dois anos, White cortou relações com o escritor, que já desenvolvera a doença do alcoolismo. Poe passou a produzir como "free-lancer", em grande quantidade, mas sem ganhar o suficiente para manter uma vida digna e saudável, o que o levou a afundar-se ainda mais na bebida. A morte de sua mulher agravou o problema. O escritor passou a suicidar-se aos poucos, bebendo cada vez mais e já sofrendo os primeiros ataques de delirium tremens. Numa viagem a Nova York, para tratar de negócios, parou em Baltimore e hospedou-se numa taberna onde se distraiu durante horas bebendo com amigos. Era a noite de 6 de outubro de 1849. O escritor morreu na madrugada do dia 7, aos 40 anos. Hoje Poe é um escritor estudado e cultuado em todo o Ocidente. Entre suas obras destacam-se: The Raven (O Corvo, poesia, 1845), Annabel Lee (poesia, 1849) e o volume Histórias Extraordinárias (1837), onde aparecem seus contos mais conhecidos, como "A Queda da Casa dos Usher", "O Gato Preto", "O Barril de Amontillado", "Manuscrito encontrado numa Garrafa", entre outros, considerados obras-primas do terror.

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    Massachusetts, Estados Unidas

    Edgar Allan Poe