Hoje falarei apenas do que senti lendo Travessia, ele é a continuação de Destino e vocês sabem o quanto a spoilerofobia me aflige. Justamente por isso vou evitar ao máximo revelar o enredo! Assim todo mundo pode aproveitar a resenha e quem sabe se interessar pela trilogia de três.
Travessia é um livro rápido. E calmo. Apesar da violência do novo cenário, das condições extremas e provações tanto para Cassia e Ky, achei o livro extremamente tranquilo.
Talvez porque ele seja mais sobre as descobertas dos personagens acerca de si mesmos do que o fluir da trama. Em melhores palavras: a trama se desenrola conforme eles aprendem mais e mais do que são capazes de fazer e de que material são feitos, o que os move para frente e na direção do outro, sempre.
Enquanto em Destino tínhamos uma garota adormecida, imersa na Sociedade e sua obra: o estilo de vida, os pensamentos doutrinados; em Travessia encontramos a mesma menina, porém completamente acordada e correndo.
Acho as capas dessa trilogia perfeitas, elas conseguem transmitir muito bem o ponto da estória.
Agora, e isso não é spoiler, me dá uma angústia de imaginar um mundo onde só cem exemplares de cada área das artes fossem permitidos, onde tivéssemos acesso à uma quantidade tão pequena de cultura afim de ‘minimizar as distrações’. Perdi a conta de quantas vezes me peguei olhando para minhas estantes, pensando em quais livros eu salvaria e de quais seria capaz de me desfazer. Não, não apenas me desfazer, destruir, apagar do mapa, fingir que nunca existiu!
Vocês conseguiriam? Separar cem histórias, cem poemas, cem canções, cem quadros… e viver o resto da vida só com aquilo e saber que as pessoas que vierem depois também só vão ter aquilo?
Acho que a Condie foi genial ao pensar nisso. Arte, criação, a forma como isso nos toca, tem tudo a ver com liberdade. Estrangular, restringir à poucas opções ainda lhe dá arte, mas uma falsa liberdade.
A Sociedade é essencialmente essa falsa liberdade.
Ok, temos o problema do triangulo amoroso (oh, really?) e eu REALMENTE podia passar sem essa, mas aqui ele parece mais mesclado, subentendido na narrativa, do que dançando ula por ai com uma saia havaiana, do jeitinho que os autores estão adoraaaaaaaando fazer ultimamente.
Talvez seja culpa da forma como Condie escreve.
Sinceramente, não me importo que façam frisson pelo sistema de pareamento ou a distopia em si. Para mim o ponto alto desses livros é a musicalidade nas palavras da autora.
Tem ritmo, tem beleza. Elas foram cuidadosamente escolhidas e mesmo assim passam toda a emoção da espontaneidade. Lendo Travessia percebi o quanto isso é subestimado nos livros de hoje em dia, mesmo pelos leitores, como se só a estória importasse.
Enfim, recomendo Travessia para quem gosta de poesia e também para quem ainda não sabe que gosta.
Para essa e outras resenhas na íntegra, acesse:
desigusson.wordpress.com
(vai lá, gente, é super legal!)