A edição já vale cinco estrelas só pela reportagem sobre a Zika. Está realmente superinteressante essa parte, como há tempos não via na revista. O texto é detalhado em aspectos como: os primeiros registros do vírus, histórico da epidemia, biologia do mosquito transmissor, desafios para a ciência na compreensão dos mecanismos relacionados a microcefalia e sindrome de Guillain-Barré e, logicamente, mecanismos de prevenção e cenário da saúde pública. Não sabia, por exemplo, que os primeiros casos da dengue no Brasil oficialmente foram datados nos anos 80 e que a floresta de Zika, às margens do lago Vitória, em Uganda, foi o local dos primeiros registros do vírus zika e origem do nome, em 1942. Legal e instigante a reportagem, recomendável para professores e estudantes como ferramenta de pesquisas.
A matéria sobre o papa Francisco está interessante pelo conteúdo histórico, que põem em paralelo as igrejas Católica e Ortodoxa russa em suas diferenças. Uma é de caráter universal, teoricamente sem limites geográficos, e a outra submissa a limites e autoridades regionais. A reportagem dá ênfase ao traquejo do papa em aproximar a igreja de partes até então em oposição. Há aspectos contestáveis em crítica ao pontífice, pelo que chamam de omissão de divulgar a posição da igreja em alguns assuntos.
"Suicído assistido", mas que loucura pensar em empressas especializadas em conceder aos cidadãos os recursos para uma morte sem maiores sofrimentos no suicidio. Há um temor também desse ramo se tornar, na legalidade buscada em vários locais, como algo essencialmente comercial, desumanizado e até visto como solução a ser pressionada por familiares a seus membros debilitados. uma banalização de descarte à vida.
Que loucura a rota de refinamento da cocaína! Querosene, álcool, soda caustica e o demo a quatro... Cruz credo! Não se pode esquecer de muito sofrimento e sangue derramado, direta ou indiretamente, para essa desgraça chegar no destino final com o usuário. Uma engenhosidade hedionda e maldita.
A reportagem sobre transtornos mentais tem também um histórico interessante na trajetória da relação social com eles, do jeito como gosto de me informar, mostrando-se também casos diversos de pessoas que foram bem sucedidas em suas terapias.
O conto "Consciência total" retrata algo do conformismo geral, com o que não é legal, e a busca desesperada em soluções que parecem drogas. Lembrei do Aldoux Huxley em conceitos como "soma" e os aparelhos de construção de experiências alienantes e delirantes, presentes no clássico "Admirável Mundo Novo".