Narcisa (Harper Perennial) - Our Lady Of Ashes

    Jonathan Shaw

    Harper Perennial
    2015
    608 páginas
    20h 16m
    ISBN-13: 9780062354990

    In the wild backwaters of Rio de Janeiro and New Yok, a nomadie outlaw Ignácio Valência Lobos,known as Cigano- attempts in vain t curb unhinged habits of his lover,Narcisa a crack-smoking philosopher prostitute.

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    Zeka Sixx11/09/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Uma "maratona" que vale - muito - a pena ser encarada

    Lançado originalmente em 2008 por uma editora alternativa, "Narcisa - Our Lady of Ashes" se tornou rapidamente um clássico cult e, algum tempo depois, ficou fora de catálogo, com cópias sendo vendidas a ávidos compradores por mais de 200 dólares. Felizmente, o livro foi relançado (com texto revisado e ligeiramente modificado) em 2015, pela gigante Harper Collins, através de um selo de propriedade de Johnny Depp, um dos melhores amigos do autor, que comprou pessoalmente a briga para que o romance fosse republicado. Com mais de 600 páginas, o livro narra a história de Ignácio Valencia Lobos, um descendente de ciganos de 40 e poucos anos que, após mais de duas décadas traficando heroína entre o México e a Califórnia, decide retornar para a sua cidade natal, o Rio de Janeiro, após cumprir um tempo de cadeia e, paralelamente, abandonar o alcoolismo e o vício em heroína. Cigano, agora sóbrio, mal sabe que, nas ruas do Rio, encontrará o vício mais perigoso de sua vida: Narcisa, uma garota sexy porém completamente autodestrutiva, brilhante porém com diversos parafusos a menos, irresistível porém marcada por inúmeros traumas do passado, insaciável porém com uma paixão especial por todos os tipos de droga - especialmente o crack. Ambientado entre 2006 (quando Cigano conhece Narcisa, então com apenas 15 anos, nas ruas de Copacabana) e 2010, a obra descreve as inúmeras idas e vindas do relacionamento "tóxico" do casal - e bota tóxico nisso. Ambos se destroem cada vez mais em seus vícios - o dele, a paixão por Narcisa; o dela, a pedra maldita -, presos em uma armadilha inescapável, girando sem sair do lugar, como numa roda de hamster. "Ok, mas 600 páginas só de idas e vindas de um relacionamento tóxico, não fica cansativo?", vocês podem estar se perguntando. Até poderia, se não fosse por um detalhe muito importante: Jonathan Shaw escreve maravilhosamente bem. O cara simplesmente bebeu de todas as fontes certas. Como Johnny Depp escreve na apresentação do livro: "Se Hubert Selby Jr., Charles Bukowski, Ernest Hemingway, Jack Kerouac, William Burroughs , Neil Cassady, Dr. Hunter S. Thompson, o Marquês de Sade, Antônio Carlos Jobim, João Gilberto, Edward Teach, Charlie Parker, Iggy Pop, Louis- Ferdinand Céline, R. Crumb, Robert Williams, Joe Coleman, Dashiell Hammett, Emil M. Cioran e todos os três patetas se envolvessem numa orgia vergonhosa e cheia de luxúria, Jonathan Shaw seria provavelmente o seu resultado, a prole diabólica e rejeitada". O livro é uma maratona, de fato, mas que vale a pena cada minuto do percurso (no meu caso, foram mais de 30 dias, e ainda encarei em inglês porque, vergonhosamente, "Narcisa" não foi publicado no Brasil). Aliás, falando em Brasil, preciso destacar que poucas vezes vi o nosso maltratado país - e o Rio de Janeiro, em especial - serem descritos com tamanha precisão, com um olhar tão cirúrgico para a forma como funciona a nossa sociedade. Um feito impressionante para um autor gringo (ainda que Shaw resida no Rio de Janeiro há muitas décadas).

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