A jangada de pedra (Mestre da Literatura Contemporânea #2) -

    José Saramago

    Record
    1990
    317 páginas
    10h 34m
    ISBN-10: 8501159026
    Português Brasileiro

    Racham os Pirineus, a Península Ibérica se desgarra da Europa. Transformada em ilha - Jangada -, navega à deriva pelo oceano Atlântico. A esse espetacular acidente geológico somam-se outros insólitos que unem os quatro personagens principais do romance numa viagem apocalíptica e utópica pelos caminhos da linguagem e, por meio dela, pelos da arte e da cultura peninsulares. A ínsula ibérica vagueia ao acaso de um mar tecido de muitos mitos e história. A história dos povos ibéricos, José Saramago a conta e reconta pela memória de um narrador, múltiplo de si mesmo e dos personagens cujas andanças acompanha. Os mitos se costuram nas pedras da fratura de que se fez a jangada. Neles se recuperam as crônicas, peregrinações de heróis anônimos ou notórios da identidade ibérica, todos notáveis, D. Quixote entre uns, os peregrinos de Santiago de Compostela na Idade Média entre outros. Narrativa perfeita na qual os fantasmas do inconsciente pousam familiarmente no cotidiano; surrealismo vigoroso que torna o incomum realidade, criando as condições oníricas para virar o mundo às avessas e, então, contar-lhe, com ironia e graça, os transtornos de erros e acertos, de enganos e desenganos. Posto assim ao contrário de si mesmo e de suas aparentes e reais firmezas, o mundo abre-se para a aventura ficcional da desconstrução das certezas das palavras e dos objetos; deixa-se viajar no estranhamento que daí decorre; reencontra-se em signos velhos e cristalizados: signos novos contudo, nos enigmas em que se tornam, reveladores também nas fantásticas soluções narrativas que desencadeiam.

    Edições (6)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    • book cover

    Similares (1)

    Ver mais
    • book cover
    Resenhas (111)Ver mais
    Renato Américo picture
    Renato Américo01/07/2019Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    “É bem certo que as palavras nunca estão à altura da grandeza dos momentos.”

    O que fazer quando seu mundo está a deriva? Nessas páginas encantadoras, Saramago tece com profunda sensibilidade um retrato sobre o sentido da Busca. Da mais improvável das rupturas, a iminência de uma tragédia. E quem dirá que nunca, ao sentir a terra tremer e o céu rodopiar após uma separação, questionou-se a si sobre si? Perdidos (e, talvez por isso, finalmente livres) esses personagens, esses países, essas culturas se questionam e buscam (estradas possíveis de um destino irremediável) por identidade, propósito e redenção. Lendo este livro aprendi que, de certa forma, também me questiono e busco. Nos descaminhos de uma Ibéria em extinção, reconhecemos um pouco daquilo que habita em nós mesmos e que, improvável como uma jangada de pedra, ainda insiste em navegar. Como canta Humberto Gessinger: "Meu coração é um porto sem endereço certo, é um deserto em pleno mar."

    67 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.1 / 1883
    • 5 estrelas35%
    • 4 estrelas38%
    • 3 estrelas22%
    • 2 estrelas5%
    • 1 estrelas1%