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    Revolta na Lua - Coleção Argonauta nr 119 e 120

    Robert A. Heinlein

    [Lisboa] Editorial Livros do Brasil
    1967
    196 páginas
    6h 32m
    ISBN-1: 0
    Português
    4.3
    23 avaliações
    Leram36Lendo1Querem124Relendo0Abandonos2Resenhas1
    Favoritos4Desejados124Avaliaram23

    Obra foi dividida em 02 volumes, 382 pag, (196/186 pag). Tradução de "The Moon is a Harsh Mistress", é um livro de ficção científica, escrito por Robert A. Heinlein em 1966, sobre a guerra de independência de uma colônia penal localizada na Lua, nos anos 2075 e 2076. O livro apresenta várias idéias libertárias, sendo, por muitos (inclusive Isaac Asimov), considerado o resumo das idéias políticas de Heinlein. O livro também é um dos primeiros no estilo cyberpunk: os heróis são sujos e pobres; o protagonista é um hacker com um braço mecânico cujo melhor amigo é uma inteligência artificial. O livro foi dividido em duas partes pela Livros do Brasil. LB nº 119 (197 pag) e nº 120 (186 pag). Heinlein voltaria a escrever sobre o universo deste livro em "The Cat Who Walks Through Walls".

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    Resenhas (1)Ver mais
    Alessandro Ciapina picture
    Alessandro Ciapina28/05/2014Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Heinlein brinca com radicalismos em um dos livros mais importantes da história da FC!

    Revolta na Lua (The Moon is a Harsh Mistress) é um romance de ficção científica do escritor norte americano Robert A. Heinlein, escrito em 1966 e vencedor do Prêmio Hugo de 1967, tendo sido indicado para o Nebula em 1966. Originalmente foi publicado em forma serializada na revista Worlds of If, foi publicado em português apenas na cultuada coleção Argonauta, em dois volumes (nº 119 e 120). Para encontrar os dois volumes precisei garimpar vários sebos pelo Brasil, e só consegui encontrá-los através do site Estante Virtual, aproveito para recomendar para todos! Tive a experiência de comprar vários livros de diferentes livrarias e nunca tive problemas com a entrega ou qualidade informada dos livros. Introdução ao roteiro O ano é 2075, a Lua (Luna) foi colonizada com a criação de várias cidades subterrâneas. Os habitantes de Luna, chamados de Lunáticos (Loonies), são compostos principalmente de criminosos, exilados políticos e seus descendentes. A população total é de cerca de três milhões, com o dobro de homens, por isso a poligamia além de permitida é amplamente adotada. Luna não é independente politicamente, sendo governada por um representante da Terra, chamado de Guardião (Warden). A estória é narrada por Manuel Garcia “Mannie” O’Kelly-Davis, ou simplesmente Mané, um técnico de computadores que descobre que o computador central de Luna, HOLMES IV (“High-Optional, Logical, Multi-Evaluation Supervisor, Mark IV”) atingiu a auto-consciência e desenvolveu um gosto pelo senso de humor. Mané apelida o computador de Mike, uma alusão à Mycroft Holmes, irmão de Sherlock Holmes, e inicia-se uma forte amizade entre eles. Mike vem sofrendo de solidão, pois considera todos os humanos que lidam com ele no dia a dia estúpidos, e imediatamente interessa-se por Manuel, classificando-o como não-estúpido. Como forma de lidar com a solidão Mike começou a empregar piadas de gosto duvidoso, como emitir cheques multi-milionários, pois controla toda Luna, inclusive o sistema financeiro. No primeiro volume, Manuel, à pedido de Mike, vai até uma reunião anti-autoridade clandestina, onde este acaba conhecendo Wyoming “Wyoh” Knott, uma estonteante loira que agita a reunião. O antigo professor de Manuel, Professor Bernardo de la Paz, afirma que é necessário interromper toda a exportação de trigo hidropônico para a Terra, pois isso irá causar a exaustão do recurso mais escasso da Lua: a água. Os eventos que se sucedem causam a união de Manuel, Bernardo e Wyoh como líderes de uma revolta que pretende libertar Luna da influência da Terra. Mike revela-se um grande aliado, pois é capaz de proteger os membros da rebelião possibilitando a comunicação sigilosa deles, além outra ações que ajudam a causar desconforto e confusão ao Guardião e sua força policial. Para proteger Luna de um ataque da Terra, eles constroem uma duplicata menor da catapulta eletromagnética que lança cargas de trigo para a Terra, para usá-la como arma de dissuasão. A partir daí a revolta é inevitável, e o livro trata basicamente da luta pela independência da Lua. Considerações sobre o livro Heinlein é certamente um escritor cheio de paradoxos: É um visionário do libertarismo, com obras cultuadas como Um Estranho em Uma Terra Estranha, que foi eleito pelo movimento hippie como uma espécie de bíblia da contracultura; É um fascista, onde mostra uma sociedade militarizada em Tropas Estelares, com liberdades civis limitadas: a cidadania plena – com direito ao voto – só pode ser atingida após prestar o serviço militar; É um misoginista, e deixa isso bem evidente em Revolta na lua. Em sua carreira, Heinlein buscou mostrar vários pontos de vista sobre religiões, governo e relações entre os gêneros, mas sempre mostrou pouca apreço por opiniões moderadas, sempre em nome de um pragmatismo exagerado. O equilíbrio entre esse pragmatismo e o idealismo – ou a ilusão de que ambos podem coexistir – é o tema de Revolta na Lua. Trata-se de um livro sobre libertarismo, mas como Heinlein acaba definindo através de um dos heróis do livro, trata-se mais de “anarquismo racional”. Os rebeldes partem para a revolução, contando com a ajuda de um supercomputador senciente – e pasmem senhores! O computador não torna-se maligno e não pretende exterminar a humanidade, fugindo completamente do clichê. O supercomputador Mike conduz um plano perfeito, mas estranhamente as chances de sucesso que inicialmente eram de 1/7 caem até 1/100, num grande desafio lógico para a pobre mente do leitor. A questão das piadas de Mike acabam sendo esquecidas no desenrolar da livro, numa clara falha no desenvolvimento feito por Heinlein. Uma pena, pois era um excelente gancho na estória. No decorrer da trama Heinlein mostra porque é considerado por muitos um mestre do paradoxo ideológico, brincando com suas opiniões políticas para produzir um efeito dramático. Por exemplo, veja a contradição dos lunáticos que pretendem criar um estado pacifista através inicialmente de terrorismo e depois com ataques à Terra. O misoginismo de Heinlein é evidente ao retratar uma sociedade poligâmica onde a mulher é valorizada pelo aspecto reprodutivo, mas acaba desempenhando papéis secundários na sociedade como cozinhar e cuidar da casa, e é tratada como objeto sexual sendo até esperado que ela rebole bastante e receba uma saraivada de assobios ao passar por homens. De qualquer forma, é um excelente livro, e vale a pena a leitura nem que seja para criticar Heinlein por seus paradoxos e radicalismo.

    1 curtida

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    Avaliações

    4.3 / 23
    • 5 estrelas48%
    • 4 estrelas39%
    • 3 estrelas13%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
    Robert Anson Heinlein profile picture

    Robert Anson Heinlein

    Robert Anson Heinlein foi um escritor de ficção científica conhecido por ser "o decano dos escritores de ficção científica". Foi um dos mais populares e controversos autores do gênero. Ele estabeleceu um padrão alto de ciência e engenharia, ajudando a elevar os padrões do gênero de qualidade literária. Ele foi um dos primeiros escritores a quebrar o mainstream com a ficção científica pura. Por muitos anos, Heinlein, Isaac Asimov e Arthur C. Clarke foram conhecidos como os "Big Three" da ficção científica. Heinlein venceu Hugo Awards por quatro de seus romances, além disso, 50 anos após a publicação, três de seus trabalhos receberam "Retro Hugos". Ele também ganhou o primeiro Grande Prêmio Master dado pela Science Fiction Writers of America para a sua obra. Em sua ficção, Heinlein cunhou palavras que se tornaram parte do idioma Inglês, incluindo "grok" e "Waldo", e popularizou o termo "TANSTAAFL".

    283 Livros
    128 Seguidores
    Missouri, Estados Unidos

    Robert Anson Heinlein