O livro conta a história de Salvador dos Santos, que passou por uma vida de decepção amorosa e carreira entediante, buscando na poesia uma forma de se eternizar - e falhando. Salvador decide apelar a um plano mais ousado: eternizar-se como um serial killer.
O tema da eternização, do viver além da vida, já é por si só bastante interessante - quem de nós não quer deixar uma marca no mundo, que permaneça quando nós não estivermos mais aqui?
Mas ainda melhor do que o tema é a abordagem que Matheus Arcaro dá em sua escrita.
O livro segue uma estrutura não-linear, assim como Tarantino faz em filmes como Cães de Aluguel ou Pulp Fiction; mas diferente do que faz o cineasta, os capítulos do Lado Imóvel do Tempo não necessitam de esforço algum para serem situados. E isto não se deve a uma data no canto da página, mas à própria narrativa, que em poucas palavras já nos situa no tempo e espaço de cada capítulo.
Os capítulos, aliás, são bastante curtos, o que ajuda a fazer deste um livro fácil e rápido de ler. Fica fácil fazer pausas quando quiser, sem perder-se na trama - não que você vá querer fazer muitas pausas, já que a leitura é muito cativante.
Por fim, para mim o ponto alto da escrita são as figuras de linguagem. Metáforas e comparações são abundantes, mas nunca desmedidas. São criativas e originais, e dão cor ao romance, sem serem pretensiosas; elas não são penduricalhos complicados no texto, mas parte integral deste, que permitem ver e sentir o que as palavras relatam.