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    Quando Finalmente Voltará a Ser Como Nunca Foi - A loucura está do lado de dentro ou de fora?

    Joachim Meyerhoff

    Valentina
    2016
    352 páginas
    11h 44m
    ISBN-13: 9788565859974
    Português Brasileiro
    3.7
    322 avaliações
    Leram404Lendo43Querem887Relendo0Abandonos42Resenhas57
    Favoritos31Desejados887Avaliaram322

    Isso é normal? Crescer entre centenas de pessoas com deficiência física e mental, como o filho mais novo do diretor de um hospital psiquiátrico para crianças e jovens? Nosso pequeno herói não conhece outra realidade - e até gosta muito da que conhece. O pai dirige uma instituição com mais de 1.200 pacientes, ausenta-se dentro da própria casa quando se senta em sua poltrona para ler. A mãe organiza o dia a dia, mas se queixa de seu papel. Os irmãos se dedicam com afinco a seus hobbies, mas para ele só reservam maldades. E ele próprio tem dificuldade com as letras e sempre é tomado por uma grande ira. Sente-se feliz quando cavalga pelo terreno da instituição sobre os ombros de um interno gigantesco, tocador de sinos. Joachim Meyerhoff narra com afeto e graça a vida de uma família extraordinária em um lugar igualmente extraordinário. E a de um pai que, na teoria, é brilhante, mas falha na prática. Afinal, quem mais conseguiria, depois de se propor a intensificar a prática de exercícios físicos ao completar 40 anos, distender um ligamento e nunca mais tornar a calçar o caro par de tênis? Ou então, em meio à calmaria, ver-se em perigo no mar e ainda por cima derrubar o filho na água? O núcleo incandescente do romance é composto pela morte, pela perda do que já não pode ser recuperado, pela saudade que fica - e pela lembrança que, por sorte, produz histórias inconcebivelmente plenas, vivas e engraçadas.

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    Tamirez Santos picture
    Tamirez Santos19/08/2018Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Quando Finalmente Voltará a Ser Como Nunca Foi

    O que me atraiu nesse livro foi a capa, instigante e misteriosa, além de muito bonita; e também o título, grande, sugestivo e misterioso. Quando o lançamento foi anunciado eu fiquei super empolgada e doida pra ler, mas a leitura demorou um pouco para acontecer. E, infelizmente, quando aconteceu, não foi tudo aquilo que eu esperava. O sentimento que eu tenho é que não era o momento certo para eu ter lido essa história agora. Sabe quando a gente sente que há algo errado entre a nossa vibe e a do livro? Então. Sei que muita gente adorou esse livro e me senti frustrada e triste por ter tido uma experiência ruim. Eu patinei, me deu ressaca literária, e eu ansiei por cada minuto até o fim. Desculpa livro, tenho quase certeza que o problema fui eu e não você, porque eu realmente costumo curtir essas tramas. É estranho se desculpar né? Mas é o sentimento que eu fiquei. “O silêncio me deprimia. Eu odiava ouvir meu sangue murmurar no travesseiro e ficar deitado no escuro como uma múmia preparada para a eternidade. Sentia saudade dos gritos, da gritaria tranquilizadora dos doentes.” Joachim, que gosta de ser chamado de Jocki, é o nosso protagonista e também narrador. É através de seus olhos que vamos conhecer o seu mundo e toda essa estranheza que lhe é comum. Ele vive em meio a pacientes de todos os tipos, interage com alguns e nos conta suas histórias, bem como suas impressões e anseios sobre eles. A apresentação da “situação” é feita de forma natural, pois para o garoto não há nada de errado na forma como a vida dele se conduz ou sobre sua moradia. Opinião que não é exatamente compartilhada pelas pessoas de fora. Logo no começo, temos o seu primeiro dia indo para a escola, e é ai que já vemos o quanto esse menininho é diferente. Ele encontra um homem morto e sua reação é de euforia. Ele sai correndo e gritando para avisar a todos. Não há choque ou trauma, apenas entusiasmo. Outro fato que vale a pena mencionar é que ele gostava de dormir com os gritos dos pacientes. Conforme ele nos conta, não haviam momentos de verdadeiro silêncio pelo terreno da instituição. E, após um tempo, quando ele sai de lá para fazer outras coisas, ouvimos sua reclamação de como é difícil adormecer sem os sons que ele estava tão familiarizado. Mas, não é só o ambiente que é inusitado, Jocki também tem uma personalidade problemática e uma família que prefere não enxergar certas coisas. O garoto tem ataques de raiva sem motivo aparente e a qualquer momento. Porém, isso nunca é tratado ou levado a sério pela família. Eu confesso pra vocês que esse descaso de um pai que é médico me fez pensar em teorias sobre o fato. Achei que ele nem era verdadeiramente membro da família, mas sim um paciente que estava sendo induzido naquela situação de proximidade. Mas, conforme a trama se desenvolveu e vamos conhecendo as histórias, o personagem cresce, e até vai viver sua vida adulta, nada disso se relaciona, apontando que realmente ele era exatamente quem parecia ser, e que o fato de não receber atenção ao tratamento para o seu problema psicológico foi uma negligencia familiar. Ele também sofria constantemente bullying dos irmãos e tinha várias atitudes estranhas, como por exemplo uma cena que doeu em mim e na qual mais uma vez eu duvidei da sanidade do menino: eles tem uma cachorra, e um belo dia ele decide fazer um pacto de sangue com ela; para tal ele a corta de forma profunda para trazer o sangue e depois a si próprio. Quando a mãe e o pai veem o que aconteceu há apenas um silêncio e o contorno da situação. Nenhuma providencia. Com essas coisas, fiquei a todo momento esperando alguma revelação ou desenvolvimento mais profundo, e simplesmente não veio. O livro é apenas Joachim contando duas história, suas memórias e nos conduzindo através de sua vida, da infância à idade adulta. Frente a essa proposta, o subtítulo do livro faz bastante sentido: a loucura está do lado de dentro ou de fora?. Dai o leitor precisa se perguntar dentro ou fora de onde. Do hospital, da casa, da família, ou da cabeça do menino? Cada capítulo conta uma história e elas não necessariamente se conectam. Algumas envolvem o pai, outras um paciente, e outras apenas o garoto e suas ideias. O livro teve um andamento bem lento pra mim e me demorou um tempo considerável até que eu finalizasse a leitura. O autor intercala momentos de seriedade, como a questão do cachorro ou uma conversa que Joachim tem com uma menina que estava lá por tentar cometer suicídio onde ela não sabe explicar o porquê, com cenas cômicas, feitas para a diversão. Há também aqueles momentos em que o leitor não tem certeza se é pra achar engraçado ou incrivelmente de mau gosto. Esse é um livro para pararmos e pensarmos: o que é normal? Como sabemos o que é normal? O normal é ser um anormal?. É realmente difícil julgar as conotações que essa leitura traduz e implica. Porém, como já mencionei, não foi pra mim algo marcante. Eu apenas me senti incomodada e à espera a todo momento de que algo acontecesse. Qualquer coisa. Mas não, a história era realmente só aquilo. Quando Tudo Voltará a Ser Como Nunca Foi é uma leitura delicada e indicada àqueles que gostam de ler coisas sobre crianças e dramas psicológicos. É uma leitura para imergir e absorver. E, talvez o mais importante, pode precisar que você esteja em um momento certo pra isso, se não pode soar bem monótono.

    35 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.7 / 322
    • 5 estrelas19%
    • 4 estrelas35%
    • 3 estrelas31%
    • 2 estrelas11%
    • 1 estrelas4%
    Joachim Meyerhoff profile picture

    Joachim Meyerhoff

    JOACHIM MEYERHOFF nasceu em 1967, em Homburg/Saar, mas cresceu em Schleswig. Por seu romance de estreia, Alle Toten fliegen hoch. Amerika [Todos os mortos voam alto. América], recebeu o Prêmio Literário Franz Tumler, em 2011, e o Prêmio de Literatura de Bremen. Desde 2005 é membro do Burgtheater, em Viena. Em seu ciclo de seis partes, Alle Toten fliegen hoch, Meyerhoff apareceu no palco como narrador e foi convidado para o Encontro Teatral de 2009. Em 2007, foi escolhido como Ator do Ano.

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    Joachim Meyerhoff