Terceira obra sobre as viagens do veleiro francês Belém. Como é característico, as narrativas tem inspirações reais e traz a percepção de fatos históricos para o leitor, outrora corriqueiros em suas características difíceis, inusitadas e reveladoras.
Dessa vez o ano é 1908 e o veleiro faz transporte de suprimentos entre Cayena e as Ilhas da Salvação, que abrigavam uma colônia penal no pequeno arquipélago de três ilhas, sendo a mais conhecida (em caráter mundial) a Ilha do Diabo.
O leitor vislumbra um pouco daquele cotidiano através da história de três prisioneiros (pode ser que tenham sido personagens reais). Em relação ao ambiente percebe-se a natureza selvagem, que era a principal barreira contra fugas - por conta do mar infestado de tubarões e crocodilos, e também pela floresta mortífera com feras e endemias (como a malária e febre amarela). Em relação às pessoas, havia um clima de tensão óbvia, potencializado pelo descontentamento dos prisioneiros e dos guardas, que praticavam também abuso de poder e exploração.
A história se desenrola com os três prisioneiros tentando fugir a custo da morte de dois agentes de segurança e sequestro de um dos tripulantes do Belém, que na ocasião acompanhava um dos agentes que foi morto, em visita a ilha. O fato é que a sentença de morte é decretada a todos, e entre sufocos, o tripulante sequestrado e um prisioneiro sobrevivente lutam para escapar da perseguição e chegar à segurança do Belém.
A segunda edição ainda é a minha preferida nessa série e a leitura me fez lembrar que ainda estou em dívida com a vontade e meta que estabeleci de ler o livro Papilon, de Henri Charrière. Essa HQ foi só um aperitivo. Vou ler esse ano ainda. Pode crer! É o que espero... E vamos nós!
Ah, mais uma vez se destaca a arte minuciosa de Jean-Yves Delitte. Agora descobri o porquê de tanta perícia nas ilustrações marítimas. O cara é um dos pintores oficiais da Marinha real da Bélgica!