Excalibur é o melhor livro da trilogia, sem dúvidas. Pra quem tá acompanhando, sabe que dei 5 estrelas e favoritei os dois anteriores, então isso já mostra como esse livro é ABSURDAMENTE bom! Por ser o último livro de uma trilogia que já vinha melhorando, claro que eu esperava um excelente livro, mas confesso que me surpreendi positivamente. Aqui a história de Artur é finalizada de forma sublime, impecável, irretocável.
Aqui o leitor não tem um segundo de paz, porque em todo capítulo tem alguma reviravolta importante que tem o poder de mudar o rumo da história. Porém, nem de longe essas reviravoltas são jogadas de qualquer forma só pra surpreender quem tá lendo. Tudo faz sentido e encaixa com o desenrolar da história desde o primeiro livro. Não tem ponto sem nó, nada jogado sem explicação, tudo tem uma base.
A trilogia toda tem tramas políticas, guerras e religiões que disputam o poder, e em Excalibur não é diferente, mas aqui tem o melhor equilíbrio entre todos (por mais que soe, não é uma critica aos anteriores, já que eles tiverem ritmos excelentes pra o andar da história). Incrivel perceber como o Bernard criou tantos personagens que tem fome de poder e são capazes de tudo pra conseguir. De rei a bispo, todo mundo quer ocupar o trono, ou pelo menos ser aliado de quem o ocupa.
Esperei até o último livro pra falar da construção dos personagens pra não ser precipitado ou me arrepender depois, mas agora posso falar com propriedade que ela é muito bem feita. Não há como não se apegar aos personagens e torcer por eles. E falando dos vilões, são asquerosos e repulsivos ao ponto de você vibrar com suas derrota/mortes.
Dentre todos os personagens, obviamente Artur tem o protagonismo, mas é impossível não falar mais sobre Derfel. Talvez um dos melhores personagens que já vi, representando um ser humano ímpar. Derfel não seria nada sem Artur, mas acho que o contrário também é válido. Artur dependia muito de Derfel.
Elogiar a escrita do Bernard é chover no molhado, mas não posso deixar de exaltar a excelência dele nesse quesito, principalmente na descrição das batalhas. É muito prazeroso ler sobre um combate com 3, 4 ou 5 exércitos, mais de 1000 homens, cavalos, feiticeiros, mulheres, crianças, cachorros, e mesmo assim conseguir entender e visualizar tudo de forma muito clara. E pra dificultar mais, tudo isso acontece em áreas geograficamente extensas, mas em nenhum momento o leitor pode ousar dizer que se sente perdido ou desnorteado quanto ao que tá acontecendo.
Eu só tenho elogios, tanto ao livro quanto a trilogia. Pegar registros históricos bem distintos entre si, pesquisar tudo minunciosamente e disso tudo tirar uma história tão rica como essa não é pra qualquer um. Se Artur foi metade do homem que Bernard retratou, ele já foi gigante.