Dois de Ouros - Novela

    Fran Martins

    Love Books
    2014
    179 páginas
    5h 58m
    ISBN-10: B00MFQ18DU
    Português Brasileiro

    Em várias ocasiões, ouvi do crítico Braga Montenegro, conhecido por sua parcimônia em distribuir elogios até mesmo a autores consagrados da literatura brasileira, a afirmação de que a novela Dois de Ouros representa um dos pontos culminantes da obra literária do ficcionista Fran Martins. E acrescentava que essa bem-sucedida novela, pelos atributos da linguagem, pelo rigor e densidade da estrutura, coloca o seu autor entre as figuras de maior evidência do panorama literário nacional. Passados mais de trinta anos da publicação deste livro, acreditamos não haver razão para contradizer palavras do crítico Braga Montenegro. Com efeito, as qualidades fundamentais desta novela não foram comprometidas com o passar do tempo. Sua dinâmica e seu ritmo não perderam nada de sua eficácia nem de sua atualidade. Ainda despertam a imaginação do leitor e ainda o levam a acreditar que algumas vezes a realidade da ficção se confunde com a realidade da vida. Este livro de Fran Martins narra a história da perseguição ao bandido Dois de Ouros, príncipe do cangaço, senhor da Serra do Araripe, terror dos viajantes. Depois de assassinar um policial na feira do Crato, o pistoleiro vê-se acuado pela polícia. A fuga de Dois de Ouros, que se embrenha nas matas da Serra do Araripe, reveste-se de lances dramáticos. Em dado momento, a noite desceu de todo e no céu a estrela de Belém acompanhava o pedacinho de lua, subindo velozmente para o meio do firmamento. A aragem crepuscular agora soprava carinhosamente os cabelos revoltos de Dois de Ouros. Em texto escrito para as abas da primeira edição deste livro, publicado em 1966 pela Livraria Martins Editora, de São Paulo, o ficcionista cearense Caio Porfírio Carneiro nos dá o seu testemunho: Já disseram que Fran Martins é romancista frio. Nada menos verdadeiro. Fran possui jeitão muito próprio e pessoal de conceber, estruturar e desenvolver suas histórias. Não cria situações complicadas. Trata-se de um fato que não merece contestação. As narrativas de Fran Martins, em qualquer dos seus livros de ficção, são totalmente desprovidas de ornamentos retóricos. A modulação do seu discurso ficcional parece guardar certa fidelidade à lentidão atávica da fala nordestina. Ou, talvez, ele pretendesse, à semelhança de Mallarmé, dar um sentido mais puro às palavras da tribo. A reedição desta novela de Fran Martins constitui justa homenagem a um ficcionista que, pelo talento e pela competência, se impôs ao respeito e à admiração dos seus contemporâneos. Além de tornar conhecida, pelas novas gerações de leitores e de intelectuais, esta obra singular da épica nordestina. FRANCISCO CARVALHO

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    Edivaldo Silva31/08/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Dois de Ouros

    Passei alguns dias para ler esta novela. Parecia que o livro tinha mais de duzentas páginas!! Achei um pouco lenta e arrastada a narrativa, mas nem tanto, pois também há pontos altos durante a leitura. A novela, escrita pelo cearense, de Iguatu, Fran Martins, conta a perseguição ao cangaceiro Dois de Ouros, cujo nome de batismo era Juvêncio. Logo no início, vemos Dois de Ouros sendo perseguido por populares e pela polícia local, após este balear e matar um polícia. A narrativa, que acontece em um tempo de cerca de três dias, segue narrando fatos do passado, entremeados com o presente, de forma constante (e às vezes repetitivo). Divide-se em três partes, focalizando o personagem Juvêncio, seu relacionamento com o amigo Firmino, cenas da infância, depois já como Dois de Ouros; a segunda parte trata justamente de Firmino, agora cabo do destacamento do Crato e sua relação com o bandido e ex-amigo(?) Justino. Há ainda a terceira parte que trata de Arminda, ex-namorada de Dois de Ouro e sua vida na pensão de Zefa Miúda. Na verdade, a narrativa transcorre principalmente em torno da perseguição a Dois de Ouros, que ferido no peito, foge sem deixar rastros.

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