Maria de Todos os Rios -

    Benedicto Monteiro

    FCPTN / SECULT
    2009
    207 páginas
    6h 54m
    ISBN-13: 9788502080959
    Português Brasileiro

    Esse romance é o testemunho de uma mulher amazônida que - despojada do condicionamento moral, social e religioso - consegue ver e falar do corpo do homem com a mesma sensualidade e erotismo com que o homem vê e fala do corpo da mulher. A fala de Maria de Todos os Rios é um Manifesto de Libertação que a mulher vem durante séculos. Uma fala que traduz o anseio de igualdade no plano existencial mais íNtimo. Este romance põe em discussão a liberdade da mulher como ser humano, diante do homem e da sociedade, com todos os seus tabus e todas as suas tábuas de valores. (Fonte - Livros do Pará - Sebo)

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    Amapá e Amazônia19/12/2018Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    "Na obra Maria de Todos os Rios, de Benedicto Monteiro, conta-se a vida de uma mulher levada, pelas circunstâncias, ao meretrício. O autor, com toda habilidade de exímio romancista, deixa o leitor preso às atitudes da personagem, que manifesta altivez em conduzir os homens graças a sensualidade, mostrando a eles que a capacidade em sentir e transmitir prazer pode realizar-se de ambos os lados. O romance é narrado por meio de uma pesquisa realizada pela socióloga Dalva. Esta entrevista a personagem Maria sobre o tema da sensualidade. A partir disso, a história tem início com a morte da mãe da personagem Maria, na Vila da Barca, na cidade de Belém do Pará. Após o fato, o irmão a leva para morar em uma casa de mulheres, enquanto viaja a trabalho. Tempos depois, Maria descobre que o irmão havia morrido e o dinheiro que tinha deixado era insuficiente para viver. Desde então, seguindo o conselho da mãe de “jamais ser empregada de branco e nem de preto”, a personagem principal da trama resignou-se a conseguir sustento comercializando seu corpo na casa onde vivia. São muitos os caminhos que levam à prostituição, e é por esse caminho que a personagem excita o imaginário do leitor, justamente por ser ela mesma quem se revela na relação. Maria, ao entregar-se aos homens, sempre oferece a imagem da mulher disposta a doar prazer e realizar desejos. Essa sensualidade da personagem Maria remete às teorias sobre sexualidade de Freud, quando este incitou-se pela complexidade que há no comportamento vindo da fusão das pulsões básicas. Freud afirma que “Os instintos sexuais fazem-se notar por sua plasticidade, sua capacidade de alterar suas finalidades, sua capacidade de se substituírem, permitindo uma satisfação instintiva ser substituída por outra, e por sua possibilidade de se submeterem a adiamentos...". Baseado nisso, os instintos da personagem Maria seriam então canais através dos quais o erotismo é liberado. Um ponto interessante que marca a personalidade de Maria é a sede da descoberta, ou o deslumbramento de um mundo fantástico no qual o prazer é liberado. Na verdade, é a descoberta ligada ao erotismo proveniente dos desejos estampados nos rostos dos homens em Curionópolis, Serra Pelada e demais lugares por onde passava. Neles, as retribuições pelos prazeres que prestava poderiam ser simplesmente pagas com a entrega dos seus próprios corpos. Para ela, eles eram objetos de desejos e de prazer. Esse comportamento erotizado da personagem atrai o apetite dos frequentadores do meretrício, fazendo-a adquirir bens materiais como o ouro, terras e demais tipos de propriedades." Trecho do artigo "MARIA DE TODOS OS RIOS: UMA LEITURA ERÓTICA", de Luis Jorge de Melo Moraes.

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