Labyrinth Lost é o primeiro livro da trilogia Brooklyn Brujas, de Zoraida Córdova. Ainda sem publicação no Brasil, a série gira em torno de uma família de brujas, as Moritz, e sua relação com a magia e o legado ancestral da família.
Alex nunca gostou da magia. Ela sempre achou que tudo de errado que aconteceu na sua família foi por causa da magia. Por isso, esconde um segredo de sua mãe e irmãs: seu poder já desabrochou, mas ela não quer ter nada a ver com isso.
Assim, Alex decide que em seu Deathday - um ritual de passagem para brujas, onde elas recebem a benção de seus ancestrais - em vez de aceitar seu poder, ela irá bani-lo.
Mas Alex não contava que seu canto saísse errado e, em vez de banir seus poderes, acaba banindo toda sua família - a viva e a morta - para Los Lagos, uma dimensão que serve como limbo para as bruxas e que tem se tornado cada vez mais perigosa.
Agora, tudo que Alex tem é um mapa no livro de cantos da sua família e a ajuda relutante de um brujo misterioso que ela não sabe se pode confiar. Tomada pela culpa e responsabilidade pelo que aconteceu a seus entes queridos, Alex se joga através de um portal direto para Los Lagos, onde vai precisar enfrentar a terra traiçoeira e uma poderosa entidade que quer se tornar uma deusa, para salvar sua família.
Quando peguei Labyrinth Lost pela primeira vez, eu estava esperando uma fantasia urbana pelas rua do Brooklyn. Mas 85% do livro se passa em Los Lagos, esse limbo da magia que vem sendo drenado há anos por uma poderosa e cruel entidade.
E a ambientação me lembrou um pouco de Feita de Fumaça e Osso, com a terra das quimeras. Não no sentido de parecer uma cópia, mas na nostalgia e na jornada por essa terra perigosa e maravilhosa ao mesmo tempo.
Já falei no meu li até a página 100 que Alex era a típica protagonista de YA, as vezes meio burrinha, sempre teimosa e em grande parte contando com o Nova para impedir que ela faça algo extremamente estúpido, já que o desinteresse dela por magia faz com que ela seja bem leiga no assunto.
O que não é exatamente ruim, já que nos ajuda bastante a situar tudo que está acontecendo e o que cada coisa quer dizer. A mitologia criada pela Zoraiva para Labyrinth Lost é bastante rica, cheia de detalhes e incrível. O panteão com os deuses, o preço da magia, as dimensões, as criaturas. Tudo se encaixa muito bem.
Também gostei bastante dos companheiros de viagem dela: Nova, todo misterioso, sombrio e cheio de dor. Desesperado em busca de algo que Alex não consegue entender direito. E Rishi, sua melhor amiga, leal e teimosa. Os três formam um triângulo amoroso que nem de perto lembra as melações de fantasias urbanas dos anos 2005.
Gostei de como o romance foi dosado com a fantasia. Fico em segundo plano, já que tinha muita coisa para entendermos: desde o que aconteceu com a tia Rosalia, cuja morte descobrimos já no primeiro capítulo, até a forma como Alex será capaz de salvar sua família antes que o eclipse mate a todos.
Outro ponto que achei bem positivo foi como o problema central do livro não teve uma solução simples. Alex teve de lidar com as consequências de usar a magia sem a benção de seus antepassados, de fazer escolhas erradas. Ela também precisou de muita ajuda para acabar com todo aquele mal de Los Lagos. E tudo isso teve um preço.
No geral, Labyrinth Lost foi uma leitura muito positiva e rápida. Foi fácil de ler, de me conectar com as personagens e entender o mundo que Zoraida Córdova criou. E os ganchos que ela deixou para os futuros livros também são bem interessantes. Já estou prontíssima para Bruja Born - me ajuda aí, dólar!